domingo, agosto 09, 2009

MENTE, EGO E INTELIGÊNCIA


Este é um excerto do livro de B.K.S. Iyengar "Luz na vida" onde nos é apresentado um simples e belo exemplo de como a mente, o ego e a inteligência actuam perante uma situação do quotidiano.


Você chega a casa tarde e cansado do trabalho. No caminho parou para comer uma pizza e, portanto, não está exactamente com fome. Na cozinha, como por magia, vê-se abrindo a porta do congelador. Lá dentro, um pote de gelado de chocolate.

Tem início a seguinte sequência de eventos:

1. Seus olhos (órgãos de percepção) deparam-se com o gelado, lêem o rótulo (chocolate) e mandam a informação para a mente, para que esta a descodifique e identifique. Uma conexão estabelece-se: a) objecto externo; b) órgão do sentido; c) mente.

2. A mente (como sempre faz) retransmite essa informação ao eu egóico. Os elos da corrente são agora a) + b) + c) + ego.

3. Rápidos como um raio, ego e mente consultam-se, e a memória, que está contida na mente, entra em cena. Automaticamente uma pergunta apresenta-se à memória: "Comer gelado de chocolate resulta em prazer ou dor?"

4. Sem hesitação, a memória responde: "Prazer".

5. O ego diz: "Ok, dê-me". Então a mente coordena a mão (órgão de acção) nos movimentos necessários para retirar o pote de gelado do congelador, abri-lo e pegar numa colher. O resto você já sabe.

Voltemos agora ao estágio 4 para ver se outro resultado seria possível e, nesse caso, como.

5a. Mente e ego percebem vagamente uma espécie de zumbido estático no fundo da consciência, como se alguém estivesse a tentar chamar a sua atenção. Ficam inquietos com isso, então afastam-se (para longe do congelador aberto) e vêem a inteligência agitar-se: "Posso fazer uma pergunta à memória?", ela indaga.

6a. A mente e o ego hesitam, antevendo o problema, mas finalmente respondem: "Seria melhor que não mas, se insistes, não podemos negar-te essa oportunidade".

7a. "Obrigada", diz a inteligência. "Memória, por favor, diz-me o que acontece quando comes gelado todas as noites? Quais são as consequências?"

8a A memória tem uma natureza sincera, embora às vezes erre. Ela responde: "Engordas muito, não consegues entrar nas calças novas, tens sinusite e a tua artrite piora". Se deixar por conta dela, a memória do sabor adquirido no passado cometerá o erro de dizer: "Vá em frente; coma e desfrute". É a intervenção da inteligência que propõe a pergunta mais complexa: "Vivo para comer ou como para viver?"

9a. A inteligência continua a argumentar: "Deixem-me resumir esse impasse", diz ela. "Todos gostamos de comer gelado, mesmo em excesso. Todos odiamos os efeitos colaterais disso, especialmente tu, ego, que és tão vaidoso com a tua aparência. Parece que temos uma escolha: tomá-lo ou não. Todos devemos ter clareza disso" (cognição + escolha).

10a. A pobre mente fica totalmente confusa, já que, a despeito do seu nome, não tem de facto uma mente própria. Ela tomará qualquer direcção, como um cão atrás de uma bola. Geralmente, ela deixa que o ego dê as ordens e o ego está agora muito contrariado. "Eu sempre como gelado quando estou cansado, depois de um dia longo e difícil. É um grande conforto para mim. Devo isso a mim mesmo. É assim que eu sou."

11a. A inteligência (que também está aborrecida por perder as calças, embora principalmente por causa do desperdício de dinheiro) ergue a voz pela última vez: "Desta vez, vou bater o pé (vontade). Estou farta da rotina em que vocês vivem, sempre a mesma coisa, entra dia, sai dia, queixando-se depois das consequências, ou suspirando pelos bons tempos, ou pelo dia em que voltarão a ser bons. Nada vai mudar a menos que mudemos (desafio). Mente, por favor, diz à mão para se afastar do gelado e fechar a porta do congelador". A mente obdece.

12a. No dia seguinte todos sentem-se melhor pelo rumo que as coisas tomaram. Na verdade, o ego é muito presunçoso e convence-se de que foi sua a ideia de desistir do gelado.


Excerto extraído do livro "Luz na vida" de B.K.S. Iyengar, summus editorial

Nota: substitui o termo sorvete de creme por gelado de chocolate por achas mais apelativo, eheheh. Também fiz alguns ajustes na tradução original, do português do Brasil para o português de Portugal.

segunda-feira, julho 13, 2009

FOTOS DO YOGA VIVEKA II, Karuna, Monchique, Julho 2009

Obrigado à Ana, Hugo e Vânia pelas fotos...

Para o ano há mais :)




















quarta-feira, julho 01, 2009

A REMOÇÃO DOS OBSTÁCULOS E COMO ESTABILIZAR A MENTE, segundo Patañjali


Ainda antes de Patañjali nos apresentar os obstáculos que podem aparecer no caminho do Yogi, ele apresenta-nos uma solução "fácil" para prevenir e/ou remover esses mesmos obstáculos. Entre os sútras 23 e 29 deparamo-nos com a prática de Íshvara pranidhána (entrega ou devoção a Íshvara) como uma prática complementar ou alternativa para aqueles que não têm confiança, energia, motivação, determinação, desapego, sabedoria, etc...


Mesmo para esses Patañjali tem uma solução:

. Tajjapastadarthabhávanam //28//

. Aquilo [a sílaba Om] deve ser recitado repetidamente meditando sobre o seu significado. //28//

tat= aquilo, o Om
japa= repetição
tat= aquilo
artha= significado
bhávanam= entendimento, meditação sobre

Tanto a repetição do som (japa) como o seu significado (artha) devem estar presentes no om. Se não corremos o risco de fazer o japa mecanicamente e dessa forma não chegamos a lado nenhum.

E o que significa o om? Segundo as escrituras o om indica Íshvara, ele aponta para o Ser. (para saber mais sobre quem é Íshvara clique aqui . Como nos ensina o Swami Dayananda: Íshvara é a ordem e a inteligência que está em tudo, a essência da própria ordem é o om. É a ordem que faz uma coisa como ela é. Tudo o que está aqui é permeado por esta ordem. Esta ordem é Íshvara.

Então quando repito o om com o seu significado na minha mente, gradualmente vou imergindo-me em Íshvara, saturando a mente com o que Íshvara representa alcanço a estabilidade.


. Tatah pratyakchetanádhigamo 'pyantaráyábhávashcha //29//

. Dali (prática do japa om) o entendimento do Ser individual e também a ausência de obstáculos. //29//

tatah= dali, daquela (prática do japa om)
pratyak= o individual, voltar para dentro, direcção oposta
chetaná= consciência, alma
adhigama= realização, entendimento
api= também
antaráya= dos obstáculos
abháva= ausência, remoção
cha= e

Repetir o mantra om e meditar sobre o seu significado é o primeiro meio para se eliminar os obstáculos. A correcta prática do mantra om é também um caminho directo para a auto-realização.

Descritos os obstáculos (sútras 30 e 31) que podem surgir no caminho para o samádhi, Patañjali ensina-nos mais uma forma de os remover e como manter chitta (conjunto mente-ego-intelecto) purificada e estável.

. Tatpratishedhártham ekatattvábhyasáh //32//

.Para remover (ou prevenir) aqueles [obstáculos e sintomas], praticar a focalização num princípio. //32//

tat= aqueles
pratisedha= remoção, prevenção
artham= para, com o propósito de
eka= um
tattva= princípio de realidade
abhyasáh= prática

Este sútra diz-nos que para termos bons resultados no Yoga e vermos os obstáculos ao samádhi eliminados, devemos focar-nos exclusivamente na prática e no caminho para moksha (libertação). Para sermos mais correctos, Patañjali enfatiza a importância de ter e seguir um tipo de prática. É aquela velha história da pessoa que vai cavando pequenos buracos na busca de água, cava um pouquinho e desiste para procurar mais à frente. No final cava dezenas de buracos sem achar água quando, se fosse persistente em apenas um deles, encontraria a bendita água.

Se andamos sempre a mudar de prática, método, escola, professor, filosofia, etc., não chegamos a lado nenhum, acumulamos isso sim, confusão e sofrimento. Aliás, a dúvida já foi apontada anteriormente por Patañjali como um obstáculo forte à prática.

É importante mantermos a relação com o professor que escolhemos para nos ensinar. Cultivando essa relação ganhamos confiança em nós próprios e no professor que, ao sentir essa confiança, vai percebendo com o tempo o que é melhor para nós.

Este sútra ensina-nos também que devemos manter o foco nos pensamentos, nas atitudes e nas acções positivas. Uma boa forma de focar a mente é concentrando-a num ponto, num mantra, num objecto, ou numa ideia que nos traga clareza e plenitude, através da prática da meditação.

. Maitríkarunámuditopekshanám sukhaduhkhapunyápunyavishayánám bhávanátashchittaprasádanam //33//

.Cultivando hábitos de amizade, compaixão, alegria e neutralidade diante da felicidade, do sofrimento, da virtude e da equivocação respectivamente, a consciência (chitta) purifica-se. //33//

maitrí= amizade
karuná= compaixão
muditá= alegria
upekshánám= neutralidade, equanimidade
sukha= felicidade
duhkha= sofrimento
punya= virtude, mérito, acção correcta, certa
apunya= acção equivocada, demérito
vishayánám= cultivando, desenvolvendo hábitos
bhávanátah= atitude
chitta= consciência
prasádanam= purificação


Com estas atitudes purificamos e pacificamos chitta, estabilizando-a e facilitando a sua concentração. Muitas das relações que temos no dia-a-dia baseiam-se nestas 4 atitudes (senão todas).

Perante a felicidade de alguém muitas vezes sentimos inveja, resistência e distância, principalmente quando estamos num "dia não". Nesses casos devemos cultivar um sentimento de amizade diante da pessoa feliz.

Perante o sofrimento de uma pessoa podemos sentir-nos "felizes" se essa pessoa não nos cai bem ou alimentarmos alguma espécie de competição ou inveja em relação a ela. Outras vezes temos dificuldade em ter compaixão quando quem sofre nos é próximo acontecendo, por vezes, impormos algo ou sentirmo-nos frustrados. É desejável, diante do sofrimento, cultivar a compaixão. Essa compaixão vai muito além daquela conversa do "coitadinho que está a sofrer" ou da esmola que damos para nos sentirmos aliviados com a nossa consciência. Compaixão é realizar uma acção que ajude a acabar com o sofrimento do outro e isso implica objectividade e discernimento da nossa parte para, por um lado, percebermos o que o outro necessita e por outro lado não realizarmos a acção para beneficio próprio.

Inveja e crítica surgem muitas vezes quando nos deparamos com alguém virtuoso, alguém que realiza acções meritórias que nós mesmos gostaríamos de fazer como: ajudar os demais, estudar e praticar o Yoga, dedicar-se a melhorar como pessoa, etc. Devemos então desenvolver uma atitude de alegria perante tais pessoas virtuosas, que podem servir-nos como exemplos a seguir.

Perante aqueles que realizam acções equivocadas podemos sentir-nos contentes pelo erro cometido ou então raiva e aversão quando tal acção nos incomoda. Diante de tal pessoa Patañjali recomenda cultivar equanimidade e aceitação.

Estas atitudes podem funcionar como autênticas meditações ao observarmo-nos durante o dia. Quando nos deparamos com determinada situação é útil observarmos que sensação surge e se é útil cultivá-la ou substituí-la por outra mais positiva e que nos estabilize e purifique.

. Prachchhardanavidháranábhyám vá pránasya //34//

.Ou, pela exalação e a retenção do alento vital [estabiliza-se chitta, a consciência] //34//

prachchhardana= rechaka, expiração
vidháranábhyám= kumbhaka, retenção
vá= ou
pránasya= do prána, alento vital

Este sútra pode ser entendido de duas formas: expirar o ar e reter sem ar ou dilatar e alongar muito a expiração, tornando-a bastante mais lenta que a inspiração.
Nos shástras está escrito que chitta tem 2 suportes: prána (alento vital) e vásaná (tendências subconscientes). Se resolvemos um deles o outro vai atrás.

2 exercícios que podemos praticar:

1º - Tomar consciência da respiração. Ficar atento às transições entre respirações, tornando-as suaves sem transições bruscas e sem pausa entre elas. Respirar calmamente, sem tremor, treinando para suavizar as transições. Depois dilatar a expiração, alongá-la... inspirar durante um tempo e expirar no dobro da inspiração, por exemplo...

2º - Fazer uma longa e suave expiração seguida da retenção da respiração. É recomendável o uso de bandhas (fechos energéticos) como o múla, uddiyana e jalandhara bandhas para que a retenção seja feita com segurança e melhor aproveitada energéticamente.


. Vishayavatí vá pravrttirutpanná manasah sthitinibandhiní //35//

. Ou, a mente pode estabilizar-se trazendo-a para a actividade das experiências sensoriais. //35//

vishayavatí= da experiência sensorial
vá= ou
pravrttih= actividade, percepção elevada
utpanná= que surgem, que se manifestam
manasah= da mente
sthiti= estabilidade
nibandhaní= que segura, estabiliza, junta, liga


Neste sútra Patañjali diz-nos que podemos estabilizar a mente concentrando-a numa experiência sensorial. Tornar-nos conscientes da sensação em si, seja o que ouvimos, o que vemos, cheiramos, etc.

Podemos investigar os sentidos usando questões como: Como funciona minha língua? Como observo as coisas? Como ouço os sons? Os mantras (vocalização de determinados sons) e os exercícios de trataka (fixação ocular) são boas formas de concentração numa experiência sensorial, permitindo-nos absorvermo-nos na experiência, completamente focados.

O importante não é o que descobrimos com a experiência mas sim o facto de aquietarmos a mente e nos conhecermos melhor, desfazendo dúvidas.


. Vishoká vá jyotishmatí //36//

. Ou, pela percepção da luminosidade interior, livre de sofrimento [alcança-se a estabilidade] //36//

vishoká= sem sofrimento, sem dor
vá= ou
jyotishmatí= luminosidade, radiância, cheio de luz


Existem alguns exercícios clássicos que nos podem dar a percepção desta luz interna: podemos então concentrar o olhar no ponto entre as sobrancelhas (sambhavi mudrá) com os olhos abertos e depois fechando-os, mantendo-os no mesmo ponto; visualizar uma luz no centro do peito (anahata chakra); concentração no náda (concentração nos sons subtis internos); e ainda examinar o conceito de Purusha, uma vez que as Upanishads localizam o Purusha na região do coração.


. Vítarágavishayam vá chittam //37//

. Ou, concentrando a consciência em alguém livre de apego aos objectos [a consciência estabiliza-se]. //37//

vítarága= alguém livre de rága, apego
vishayam= objectos
vá= ou
chittam= consciência

Pensar num sábio, num yogi que respeitamos e admiramos e imaginar como seria a sua mente ao estar sentando meditando ajuda a nossa própria mente a seguir o mesmo caminho. Falar e/ou ler livros de pessoas que já passaram pela ignorância e sofrimento e tiveram a capacidade de superar esses obstáculos e se conhecerem, serve-nos de inspiração para resolvermos os nossos próprios problemas.

Outro aspecto importante que pode surgir da interpretação deste sútra é a importância dos símbolos que representam as facetas do absoluto (as chamadas divindades). Estas divindades representam a transcendência das paixões humanas e estados elevados de consciência alcançados pela força do sádhana.


. Svapnanidrájñánálambanam vá //38//

. Ou, [a mente pode estabilizar-se] dando-lhe como suporte o conhecimento do sonho e do sono. //38//

svapna= sonho
nidrá= sono
jñána= conhecimento
álambanam= suporte, objecto de concentração
vá= ou

Patañjali ensina-nos que investigando e desenvolvendo o método do sonho e sono conscientes, podemos estabilizar a mente. Essa investigação permite-nos aprender mais sobre nós mesmos e contribui para uma sensação de bem-estar e paz.


. Yathábhimatadhyánád vá //39//

.Ou, meditando-se sobre algo que gostamos [a mente igualmente se estabiliza]. //39//

yathá= sobre
abhimata= agradável, que gostamos
dhyánat= meditando
vá= ou

Esta é daquelas "verdades verdadeiras" como se costuma dizer. Como última hipótese de estabilizar e purificar a mente, Patañjali propõe algo muito simples: arranjar um objecto (seja visual, auditivo ou outro) que nos seja agradável e meditar sobre ele. Todos nós já tivemos momentos de concentração profunda e perfeita estabilidade mental quando estamos absorvidos por algo que muito gostamos... um pôr do sol, uma montanha, um campo de flores, etc. Pode ser uma música, um mantra, até uma pessoa ou um animal, qualquer coisa que atraia a nossa atenção e sem que tenhamos que fazer esforço para tal, pode servir como suporte para uma concentração profunda.

Bibliografia recomendada:


. Four Chapters on Freedom, Swami Satyananda Saraswatí

. Sebenta de Formação em Yoga, Pedro Kupfer

. The Heart of Yoga, Desikachar

segunda-feira, maio 25, 2009

YOGA VIVEKA II, 3 a 5 de Julho, Karuna, Monchique

«Yoga Viveka II»

Discernimento na prática e na vida
3, 4 e 5 de Julho.

Casa Karuna
Serra de Monchique
Algarve

Com Bruno Teixeira, Miguel Homem e Simão Monteiro

3 dias em boa companhia, imerso na prática e ensinamento do Yoga, com muito sol e kirtan.
Para aqueles que queiram aproveitar o calor e a luz do Verão para se reconhecerem melhor: 3 dias de prática de Hatha Yoga Tradicional com shat karma, ásana, pranayama, yoganidrá, mudrá e meditação imbuídos no ensinamento vedico..

clic na imagem para aumentar




veja aqui as fotos do Yoga Viveka em 2008


YOGA VIVEKA II

Programa:

... Sexta, dia 3 ...

17:30 Chegada.
18:00 Boas-vindas e apresentação do evento.
18:30
Prática Inicial de Yoga: Miguel
shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e meditação.
20:30 Jantar
21:30 Sat Sanga
22:00 Descanso


... Sábado, dia 4 ...

7:00 Silêncio e Meditação
7:30 Prática Matinal de Yoga: Simão
prática completa com: mantra, shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e dhyána (meditação).
9:30 Pequeno Almoço
11:00 Introdução à Bhagavad Gitá: Miguel
A Gita é um dos textos centrais da Tradição Védica e do Yoga e lida com as limitações universais do ser humano, como a ignorância, o sofrimento e a morte. O texto re­vela-nos que aqueles problemas humanos são causados pela ignorância acerca da real natureza de quem somos. Extraindo a sua essência das Upanishads, este conhecimento, brahmavid­ya, liberta-nos de qualquer sentido de limitação ou de sermos incompleto. Este é o principal ensinamento da Bhagavad Gita. Abordaremos a história da Gita, o seu contexto, bem como o seu precioso ensinamento.
13:00 Almoço
16:00 Yoga e Mitologia: Bruno
Yoga e Mitologia Hindu:Pretende-se, através desta reflexão e prática, dar a conhecer um pouco mais sobre o imaginário que fundamenta e permeia a cultura Yoguica na forma de arquétipos e histórias de sabedoria.
Nesta introdução á mitologia hindu, passaremos a conhecer melhor as ideias e atitudes por dentro dos vários nomes e formas que representam o absoluto nas suas mais diversas manifestações, e suas aplicações no dia a dia, na vida e no estudo e prática do Yoga.
18:00 Vinyasa Krama Yoga: Simão
O Vinyasa Krama é um método sistemático para estudar, praticar, ensinar e adaptar o Yoga. É uma antiga prática física e espiritual de desenvolvimento humano.O Vinyasa Krama Yoga integra corpo e mente através da respiração. A mente ao seguir a respiração torna-se parte de todo o processo, levando o praticante a um estado de aquietamento profundo.
20:00 Jantar
21:00 Sat Sanga
22:00
Descanso


... Domingo, dia 5 ...

7:00 Silêncio e Meditação
7:30 Prática Matinal de Yoga: Bruno
prática completa com: mantra, shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e dhyána (meditação).
9:30 Pequeno Almoço
11:00 Reflexão sobre o Yoga de Patañjali: Simão
Os Yoga Sútras ("Aforismos do Yoga"), antigo tratado de Yoga da autoria de Patañjali, é uma das mais importantes e antigas obras escritas sobre Yoga. São um autêntico "mapa" para o praticante explorar, conhecer e ir mais além dos aspectos densos e subtis do complexo corpo-energia-mente-ego-intelecto. Eles são sobretudo instruções precisas e exactas, resultantes de séculos de aprofundamento e experiência por parte dos yogis antigos, de como o praticante pode chegar a conhecer-se a Si Mesmo. Os sútras são antigos mas ao mesmo tempo incrivelmente actuais, pois o ser humano continua a deparar-se com os mesmos problemas existenciais.
12:00 Os mudrás do Hatha Yoga: Miguel
Os mudrás do Hatha Yoga são um tema nem sempre bem compreendido. Alguns julgam-nos apenas gestos das mãos, os chamados hasta mudrás. No entanto, existem outros, técnicas específicas que são feitas com o corpo. Não são ásanas, não são hasta mudrás, não são pránáyámas, não são exercícios de concentração ou de visualização, mas uma combinação de todas essas técnicas ou de parte delas.Nesta vivência vamos entender e aprender a executar os principais mudrás do Hatha.
13:00 Almoço
15:00 Nada Yoga e Meditação: Bruno
Náda, termo técnico do Mantrashástra (a ciência do mantra), traduzido por som, não significa som "denso" ou audível, mas antes o seu contrário. O Yoga do Som convida-nos à compreensão e percepção da sonoridade e vibração mais subtil conhecida como Shabdabrahman (som primordial ou essêncial que se percebe no estado de Samádhi).
A principal técnica deste Yoga é o nádánusandhána que nos permite abstração do exterior e mais condições para a investigação interior. O estado meditativo que se alcança após a concentração em sons cada vez mais subtis conduz ao Parabrahman, que é silencioso ou sem sons.Nesta vivência aprenderemos a desenvolver as qualidades necessárias ao sucesso desta prática.
16:00 Kirtan de Encerramento.

(programa sujeito a pequenas alterações)



Praticantes de quaisquer tradições são bem-vindos!


Professores:


.Miguel Homem


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Miguel Homem estudou Tantra Yoga e Meditação com o Dada Dhyanananda, aprofunda-se no estudo e prática de ásana segundo o método Iyengar desde 2004, fez o curso completo de formação para instrutores de Yoga com Pedro Kupfer no Brasil e estuda Vedanta no Dayananda Ashram, em Rishikesh (Índia) com Pujya Swami Dayananda. Desde 2007 estuda Yoga e Ayurveda com Vamadeva Shastri (Dr. David Frawley do American Institute of Vedic Studies). Aprendeu ainda a arte do Thai Yoga Massagem com Choenzom Emchi, que começou a aplicar recentemente.
.
http://www.dharmabindu.com/
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...


Simão Monteiro


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- Ensina Yoga desde o ano de 2001. - Formação em Swásthya Yoga (Lisboa, 2001 e 2002).
- Professor de Yoga certificado pela APIPSY, Prof. Edson Moreira (Barcelona, 2003 ).
- Ensinou em diversos centros e ginásios de Portugal (2001 e 2002) e Espanha (2003 e 2004) e fez viagens de estudo à Índia e ao Brasil (2004 e 2005).
- Organizador e orientador de workshops, retiros e encontros de Yoga desde 2005.
- Formação em Yoga orientado pelo Prof. Pedro Kupfer: Módulo I e II (em curso), intensivo e residêncial, na Quinta das Águias (Portugal, 2008/9). - Pratica Yoga com o Prof. Nuno Cabral em Lisboa (desde 2008).
- Retiro de Vedanta com o Swami Dayananda Saraswati (Portugal, 2008).
- Desde o ano de 2006 ensina Hatha Yoga Tradicional em Lisboa, Cascais e Almada.
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http://www.yogabindu.blogspot.com/
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...



Bruno Teixeira


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Fez formação profissional intensiva e extensiva sob a orientação do Prof. Edson Moreira e de outros amigos Yoguis (1998/2002), tornando-se instrutor de Yoga certificado pela APIPSY, (Espanha, Barcelona, 2002 ).
Referência especial à inspiração e orientação do Prof. Bal Krishna na prática da meditação (2003/09).
Formação em Yoga orientado pelo Prof. Pedro Kupfer; Módulo I e II (em curso), intensivo e residêncial, na Quinta das Águias (Portugal, 2008/9); Assinala-se a presença no Retiro de Jñana Yoga (Advaita Vedanta), da primeira vinda do Swami Dayananda Saraswati a Portugal.
Desde 1997, que se envolveu na prática e no estudo do Yoga e da Meditação, que o têm levado a uma vivência intensa e sincera dos ensinamentos, nomeadamente do Sámkhya, do Ashtanga Yoga de Sri Patãnjali, da filosofia Tríka (Shivaísmo de Caxemira), do Bhakti Yoga e Nada Yoga (mantra,kirtan, japa), do Tantra, do Hatha Yoga Tradicional segundo as observações dos textos clássicos e do Jñana Yoga de acordo com a tradição de Advaita Vedanta de Adí Shankarachárya, muito humildemente agradecidos a todos os que contribuiram e contribuem...
Orienta e organiza retiros, workshops e encontros de Yoga, Música e Meditação.
Fundador e co-orientador do PazPazes, Organismo Multidisciplinar de Cooperação, Formação e Desenvolvimento Humano (Porto-Gaia 2003/09);