segunda-feira, julho 13, 2009

FOTOS DO YOGA VIVEKA II, Karuna, Monchique, Julho 2009

Obrigado à Ana, Hugo e Vânia pelas fotos...

Para o ano há mais :)




















quarta-feira, julho 01, 2009

A REMOÇÃO DOS OBSTÁCULOS E COMO ESTABILIZAR A MENTE, segundo Patañjali


Ainda antes de Patañjali nos apresentar os obstáculos que podem aparecer no caminho do Yogi, ele apresenta-nos uma solução "fácil" para prevenir e/ou remover esses mesmos obstáculos. Entre os sútras 23 e 29 deparamo-nos com a prática de Íshvara pranidhána (entrega ou devoção a Íshvara) como uma prática complementar ou alternativa para aqueles que não têm confiança, energia, motivação, determinação, desapego, sabedoria, etc...


Mesmo para esses Patañjali tem uma solução:

. Tajjapastadarthabhávanam //28//

. Aquilo [a sílaba Om] deve ser recitado repetidamente meditando sobre o seu significado. //28//

tat= aquilo, o Om
japa= repetição
tat= aquilo
artha= significado
bhávanam= entendimento, meditação sobre

Tanto a repetição do som (japa) como o seu significado (artha) devem estar presentes no om. Se não corremos o risco de fazer o japa mecanicamente e dessa forma não chegamos a lado nenhum.

E o que significa o om? Segundo as escrituras o om indica Íshvara, ele aponta para o Ser. (para saber mais sobre quem é Íshvara clique aqui . Como nos ensina o Swami Dayananda: Íshvara é a ordem e a inteligência que está em tudo, a essência da própria ordem é o om. É a ordem que faz uma coisa como ela é. Tudo o que está aqui é permeado por esta ordem. Esta ordem é Íshvara.

Então quando repito o om com o seu significado na minha mente, gradualmente vou imergindo-me em Íshvara, saturando a mente com o que Íshvara representa alcanço a estabilidade.


. Tatah pratyakchetanádhigamo 'pyantaráyábhávashcha //29//

. Dali (prática do japa om) o entendimento do Ser individual e também a ausência de obstáculos. //29//

tatah= dali, daquela (prática do japa om)
pratyak= o individual, voltar para dentro, direcção oposta
chetaná= consciência, alma
adhigama= realização, entendimento
api= também
antaráya= dos obstáculos
abháva= ausência, remoção
cha= e

Repetir o mantra om e meditar sobre o seu significado é o primeiro meio para se eliminar os obstáculos. A correcta prática do mantra om é também um caminho directo para a auto-realização.

Descritos os obstáculos (sútras 30 e 31) que podem surgir no caminho para o samádhi, Patañjali ensina-nos mais uma forma de os remover e como manter chitta (conjunto mente-ego-intelecto) purificada e estável.

. Tatpratishedhártham ekatattvábhyasáh //32//

.Para remover (ou prevenir) aqueles [obstáculos e sintomas], praticar a focalização num princípio. //32//

tat= aqueles
pratisedha= remoção, prevenção
artham= para, com o propósito de
eka= um
tattva= princípio de realidade
abhyasáh= prática

Este sútra diz-nos que para termos bons resultados no Yoga e vermos os obstáculos ao samádhi eliminados, devemos focar-nos exclusivamente na prática e no caminho para moksha (libertação). Para sermos mais correctos, Patañjali enfatiza a importância de ter e seguir um tipo de prática. É aquela velha história da pessoa que vai cavando pequenos buracos na busca de água, cava um pouquinho e desiste para procurar mais à frente. No final cava dezenas de buracos sem achar água quando, se fosse persistente em apenas um deles, encontraria a bendita água.

Se andamos sempre a mudar de prática, método, escola, professor, filosofia, etc., não chegamos a lado nenhum, acumulamos isso sim, confusão e sofrimento. Aliás, a dúvida já foi apontada anteriormente por Patañjali como um obstáculo forte à prática.

É importante mantermos a relação com o professor que escolhemos para nos ensinar. Cultivando essa relação ganhamos confiança em nós próprios e no professor que, ao sentir essa confiança, vai percebendo com o tempo o que é melhor para nós.

Este sútra ensina-nos também que devemos manter o foco nos pensamentos, nas atitudes e nas acções positivas. Uma boa forma de focar a mente é concentrando-a num ponto, num mantra, num objecto, ou numa ideia que nos traga clareza e plenitude, através da prática da meditação.

. Maitríkarunámuditopekshanám sukhaduhkhapunyápunyavishayánám bhávanátashchittaprasádanam //33//

.Cultivando hábitos de amizade, compaixão, alegria e neutralidade diante da felicidade, do sofrimento, da virtude e da equivocação respectivamente, a consciência (chitta) purifica-se. //33//

maitrí= amizade
karuná= compaixão
muditá= alegria
upekshánám= neutralidade, equanimidade
sukha= felicidade
duhkha= sofrimento
punya= virtude, mérito, acção correcta, certa
apunya= acção equivocada, demérito
vishayánám= cultivando, desenvolvendo hábitos
bhávanátah= atitude
chitta= consciência
prasádanam= purificação


Com estas atitudes purificamos e pacificamos chitta, estabilizando-a e facilitando a sua concentração. Muitas das relações que temos no dia-a-dia baseiam-se nestas 4 atitudes (senão todas).

Perante a felicidade de alguém muitas vezes sentimos inveja, resistência e distância, principalmente quando estamos num "dia não". Nesses casos devemos cultivar um sentimento de amizade diante da pessoa feliz.

Perante o sofrimento de uma pessoa podemos sentir-nos "felizes" se essa pessoa não nos cai bem ou alimentarmos alguma espécie de competição ou inveja em relação a ela. Outras vezes temos dificuldade em ter compaixão quando quem sofre nos é próximo acontecendo, por vezes, impormos algo ou sentirmo-nos frustrados. É desejável, diante do sofrimento, cultivar a compaixão. Essa compaixão vai muito além daquela conversa do "coitadinho que está a sofrer" ou da esmola que damos para nos sentirmos aliviados com a nossa consciência. Compaixão é realizar uma acção que ajude a acabar com o sofrimento do outro e isso implica objectividade e discernimento da nossa parte para, por um lado, percebermos o que o outro necessita e por outro lado não realizarmos a acção para beneficio próprio.

Inveja e crítica surgem muitas vezes quando nos deparamos com alguém virtuoso, alguém que realiza acções meritórias que nós mesmos gostaríamos de fazer como: ajudar os demais, estudar e praticar o Yoga, dedicar-se a melhorar como pessoa, etc. Devemos então desenvolver uma atitude de alegria perante tais pessoas virtuosas, que podem servir-nos como exemplos a seguir.

Perante aqueles que realizam acções equivocadas podemos sentir-nos contentes pelo erro cometido ou então raiva e aversão quando tal acção nos incomoda. Diante de tal pessoa Patañjali recomenda cultivar equanimidade e aceitação.

Estas atitudes podem funcionar como autênticas meditações ao observarmo-nos durante o dia. Quando nos deparamos com determinada situação é útil observarmos que sensação surge e se é útil cultivá-la ou substituí-la por outra mais positiva e que nos estabilize e purifique.

. Prachchhardanavidháranábhyám vá pránasya //34//

.Ou, pela exalação e a retenção do alento vital [estabiliza-se chitta, a consciência] //34//

prachchhardana= rechaka, expiração
vidháranábhyám= kumbhaka, retenção
vá= ou
pránasya= do prána, alento vital

Este sútra pode ser entendido de duas formas: expirar o ar e reter sem ar ou dilatar e alongar muito a expiração, tornando-a bastante mais lenta que a inspiração.
Nos shástras está escrito que chitta tem 2 suportes: prána (alento vital) e vásaná (tendências subconscientes). Se resolvemos um deles o outro vai atrás.

2 exercícios que podemos praticar:

1º - Tomar consciência da respiração. Ficar atento às transições entre respirações, tornando-as suaves sem transições bruscas e sem pausa entre elas. Respirar calmamente, sem tremor, treinando para suavizar as transições. Depois dilatar a expiração, alongá-la... inspirar durante um tempo e expirar no dobro da inspiração, por exemplo...

2º - Fazer uma longa e suave expiração seguida da retenção da respiração. É recomendável o uso de bandhas (fechos energéticos) como o múla, uddiyana e jalandhara bandhas para que a retenção seja feita com segurança e melhor aproveitada energéticamente.


. Vishayavatí vá pravrttirutpanná manasah sthitinibandhiní //35//

. Ou, a mente pode estabilizar-se trazendo-a para a actividade das experiências sensoriais. //35//

vishayavatí= da experiência sensorial
vá= ou
pravrttih= actividade, percepção elevada
utpanná= que surgem, que se manifestam
manasah= da mente
sthiti= estabilidade
nibandhaní= que segura, estabiliza, junta, liga


Neste sútra Patañjali diz-nos que podemos estabilizar a mente concentrando-a numa experiência sensorial. Tornar-nos conscientes da sensação em si, seja o que ouvimos, o que vemos, cheiramos, etc.

Podemos investigar os sentidos usando questões como: Como funciona minha língua? Como observo as coisas? Como ouço os sons? Os mantras (vocalização de determinados sons) e os exercícios de trataka (fixação ocular) são boas formas de concentração numa experiência sensorial, permitindo-nos absorvermo-nos na experiência, completamente focados.

O importante não é o que descobrimos com a experiência mas sim o facto de aquietarmos a mente e nos conhecermos melhor, desfazendo dúvidas.


. Vishoká vá jyotishmatí //36//

. Ou, pela percepção da luminosidade interior, livre de sofrimento [alcança-se a estabilidade] //36//

vishoká= sem sofrimento, sem dor
vá= ou
jyotishmatí= luminosidade, radiância, cheio de luz


Existem alguns exercícios clássicos que nos podem dar a percepção desta luz interna: podemos então concentrar o olhar no ponto entre as sobrancelhas (sambhavi mudrá) com os olhos abertos e depois fechando-os, mantendo-os no mesmo ponto; visualizar uma luz no centro do peito (anahata chakra); concentração no náda (concentração nos sons subtis internos); e ainda examinar o conceito de Purusha, uma vez que as Upanishads localizam o Purusha na região do coração.


. Vítarágavishayam vá chittam //37//

. Ou, concentrando a consciência em alguém livre de apego aos objectos [a consciência estabiliza-se]. //37//

vítarága= alguém livre de rága, apego
vishayam= objectos
vá= ou
chittam= consciência

Pensar num sábio, num yogi que respeitamos e admiramos e imaginar como seria a sua mente ao estar sentando meditando ajuda a nossa própria mente a seguir o mesmo caminho. Falar e/ou ler livros de pessoas que já passaram pela ignorância e sofrimento e tiveram a capacidade de superar esses obstáculos e se conhecerem, serve-nos de inspiração para resolvermos os nossos próprios problemas.

Outro aspecto importante que pode surgir da interpretação deste sútra é a importância dos símbolos que representam as facetas do absoluto (as chamadas divindades). Estas divindades representam a transcendência das paixões humanas e estados elevados de consciência alcançados pela força do sádhana.


. Svapnanidrájñánálambanam vá //38//

. Ou, [a mente pode estabilizar-se] dando-lhe como suporte o conhecimento do sonho e do sono. //38//

svapna= sonho
nidrá= sono
jñána= conhecimento
álambanam= suporte, objecto de concentração
vá= ou

Patañjali ensina-nos que investigando e desenvolvendo o método do sonho e sono conscientes, podemos estabilizar a mente. Essa investigação permite-nos aprender mais sobre nós mesmos e contribui para uma sensação de bem-estar e paz.


. Yathábhimatadhyánád vá //39//

.Ou, meditando-se sobre algo que gostamos [a mente igualmente se estabiliza]. //39//

yathá= sobre
abhimata= agradável, que gostamos
dhyánat= meditando
vá= ou

Esta é daquelas "verdades verdadeiras" como se costuma dizer. Como última hipótese de estabilizar e purificar a mente, Patañjali propõe algo muito simples: arranjar um objecto (seja visual, auditivo ou outro) que nos seja agradável e meditar sobre ele. Todos nós já tivemos momentos de concentração profunda e perfeita estabilidade mental quando estamos absorvidos por algo que muito gostamos... um pôr do sol, uma montanha, um campo de flores, etc. Pode ser uma música, um mantra, até uma pessoa ou um animal, qualquer coisa que atraia a nossa atenção e sem que tenhamos que fazer esforço para tal, pode servir como suporte para uma concentração profunda.

Bibliografia recomendada:


. Four Chapters on Freedom, Swami Satyananda Saraswatí

. Sebenta de Formação em Yoga, Pedro Kupfer

. The Heart of Yoga, Desikachar

segunda-feira, maio 25, 2009

YOGA VIVEKA II, 3 a 5 de Julho, Karuna, Monchique

«Yoga Viveka II»

Discernimento na prática e na vida
3, 4 e 5 de Julho.

Casa Karuna
Serra de Monchique
Algarve

Com Bruno Teixeira, Miguel Homem e Simão Monteiro

3 dias em boa companhia, imerso na prática e ensinamento do Yoga, com muito sol e kirtan.
Para aqueles que queiram aproveitar o calor e a luz do Verão para se reconhecerem melhor: 3 dias de prática de Hatha Yoga Tradicional com shat karma, ásana, pranayama, yoganidrá, mudrá e meditação imbuídos no ensinamento vedico..

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veja aqui as fotos do Yoga Viveka em 2008


YOGA VIVEKA II

Programa:

... Sexta, dia 3 ...

17:30 Chegada.
18:00 Boas-vindas e apresentação do evento.
18:30
Prática Inicial de Yoga: Miguel
shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e meditação.
20:30 Jantar
21:30 Sat Sanga
22:00 Descanso


... Sábado, dia 4 ...

7:00 Silêncio e Meditação
7:30 Prática Matinal de Yoga: Simão
prática completa com: mantra, shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e dhyána (meditação).
9:30 Pequeno Almoço
11:00 Introdução à Bhagavad Gitá: Miguel
A Gita é um dos textos centrais da Tradição Védica e do Yoga e lida com as limitações universais do ser humano, como a ignorância, o sofrimento e a morte. O texto re­vela-nos que aqueles problemas humanos são causados pela ignorância acerca da real natureza de quem somos. Extraindo a sua essência das Upanishads, este conhecimento, brahmavid­ya, liberta-nos de qualquer sentido de limitação ou de sermos incompleto. Este é o principal ensinamento da Bhagavad Gita. Abordaremos a história da Gita, o seu contexto, bem como o seu precioso ensinamento.
13:00 Almoço
16:00 Yoga e Mitologia: Bruno
Yoga e Mitologia Hindu:Pretende-se, através desta reflexão e prática, dar a conhecer um pouco mais sobre o imaginário que fundamenta e permeia a cultura Yoguica na forma de arquétipos e histórias de sabedoria.
Nesta introdução á mitologia hindu, passaremos a conhecer melhor as ideias e atitudes por dentro dos vários nomes e formas que representam o absoluto nas suas mais diversas manifestações, e suas aplicações no dia a dia, na vida e no estudo e prática do Yoga.
18:00 Vinyasa Krama Yoga: Simão
O Vinyasa Krama é um método sistemático para estudar, praticar, ensinar e adaptar o Yoga. É uma antiga prática física e espiritual de desenvolvimento humano.O Vinyasa Krama Yoga integra corpo e mente através da respiração. A mente ao seguir a respiração torna-se parte de todo o processo, levando o praticante a um estado de aquietamento profundo.
20:00 Jantar
21:00 Sat Sanga
22:00
Descanso


... Domingo, dia 5 ...

7:00 Silêncio e Meditação
7:30 Prática Matinal de Yoga: Bruno
prática completa com: mantra, shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e dhyána (meditação).
9:30 Pequeno Almoço
11:00 Reflexão sobre o Yoga de Patañjali: Simão
Os Yoga Sútras ("Aforismos do Yoga"), antigo tratado de Yoga da autoria de Patañjali, é uma das mais importantes e antigas obras escritas sobre Yoga. São um autêntico "mapa" para o praticante explorar, conhecer e ir mais além dos aspectos densos e subtis do complexo corpo-energia-mente-ego-intelecto. Eles são sobretudo instruções precisas e exactas, resultantes de séculos de aprofundamento e experiência por parte dos yogis antigos, de como o praticante pode chegar a conhecer-se a Si Mesmo. Os sútras são antigos mas ao mesmo tempo incrivelmente actuais, pois o ser humano continua a deparar-se com os mesmos problemas existenciais.
12:00 Os mudrás do Hatha Yoga: Miguel
Os mudrás do Hatha Yoga são um tema nem sempre bem compreendido. Alguns julgam-nos apenas gestos das mãos, os chamados hasta mudrás. No entanto, existem outros, técnicas específicas que são feitas com o corpo. Não são ásanas, não são hasta mudrás, não são pránáyámas, não são exercícios de concentração ou de visualização, mas uma combinação de todas essas técnicas ou de parte delas.Nesta vivência vamos entender e aprender a executar os principais mudrás do Hatha.
13:00 Almoço
15:00 Nada Yoga e Meditação: Bruno
Náda, termo técnico do Mantrashástra (a ciência do mantra), traduzido por som, não significa som "denso" ou audível, mas antes o seu contrário. O Yoga do Som convida-nos à compreensão e percepção da sonoridade e vibração mais subtil conhecida como Shabdabrahman (som primordial ou essêncial que se percebe no estado de Samádhi).
A principal técnica deste Yoga é o nádánusandhána que nos permite abstração do exterior e mais condições para a investigação interior. O estado meditativo que se alcança após a concentração em sons cada vez mais subtis conduz ao Parabrahman, que é silencioso ou sem sons.Nesta vivência aprenderemos a desenvolver as qualidades necessárias ao sucesso desta prática.
16:00 Kirtan de Encerramento.

(programa sujeito a pequenas alterações)



Praticantes de quaisquer tradições são bem-vindos!


Professores:


.Miguel Homem


.
Miguel Homem estudou Tantra Yoga e Meditação com o Dada Dhyanananda, aprofunda-se no estudo e prática de ásana segundo o método Iyengar desde 2004, fez o curso completo de formação para instrutores de Yoga com Pedro Kupfer no Brasil e estuda Vedanta no Dayananda Ashram, em Rishikesh (Índia) com Pujya Swami Dayananda. Desde 2007 estuda Yoga e Ayurveda com Vamadeva Shastri (Dr. David Frawley do American Institute of Vedic Studies). Aprendeu ainda a arte do Thai Yoga Massagem com Choenzom Emchi, que começou a aplicar recentemente.
.
http://www.dharmabindu.com/
.
...


Simão Monteiro


.
- Ensina Yoga desde o ano de 2001. - Formação em Swásthya Yoga (Lisboa, 2001 e 2002).
- Professor de Yoga certificado pela APIPSY, Prof. Edson Moreira (Barcelona, 2003 ).
- Ensinou em diversos centros e ginásios de Portugal (2001 e 2002) e Espanha (2003 e 2004) e fez viagens de estudo à Índia e ao Brasil (2004 e 2005).
- Organizador e orientador de workshops, retiros e encontros de Yoga desde 2005.
- Formação em Yoga orientado pelo Prof. Pedro Kupfer: Módulo I e II (em curso), intensivo e residêncial, na Quinta das Águias (Portugal, 2008/9). - Pratica Yoga com o Prof. Nuno Cabral em Lisboa (desde 2008).
- Retiro de Vedanta com o Swami Dayananda Saraswati (Portugal, 2008).
- Desde o ano de 2006 ensina Hatha Yoga Tradicional em Lisboa, Cascais e Almada.
.
http://www.yogabindu.blogspot.com/
.
...



Bruno Teixeira


.
Fez formação profissional intensiva e extensiva sob a orientação do Prof. Edson Moreira e de outros amigos Yoguis (1998/2002), tornando-se instrutor de Yoga certificado pela APIPSY, (Espanha, Barcelona, 2002 ).
Referência especial à inspiração e orientação do Prof. Bal Krishna na prática da meditação (2003/09).
Formação em Yoga orientado pelo Prof. Pedro Kupfer; Módulo I e II (em curso), intensivo e residêncial, na Quinta das Águias (Portugal, 2008/9); Assinala-se a presença no Retiro de Jñana Yoga (Advaita Vedanta), da primeira vinda do Swami Dayananda Saraswati a Portugal.
Desde 1997, que se envolveu na prática e no estudo do Yoga e da Meditação, que o têm levado a uma vivência intensa e sincera dos ensinamentos, nomeadamente do Sámkhya, do Ashtanga Yoga de Sri Patãnjali, da filosofia Tríka (Shivaísmo de Caxemira), do Bhakti Yoga e Nada Yoga (mantra,kirtan, japa), do Tantra, do Hatha Yoga Tradicional segundo as observações dos textos clássicos e do Jñana Yoga de acordo com a tradição de Advaita Vedanta de Adí Shankarachárya, muito humildemente agradecidos a todos os que contribuiram e contribuem...
Orienta e organiza retiros, workshops e encontros de Yoga, Música e Meditação.
Fundador e co-orientador do PazPazes, Organismo Multidisciplinar de Cooperação, Formação e Desenvolvimento Humano (Porto-Gaia 2003/09);

segunda-feira, maio 04, 2009

Curso de SHIVA NATA no PazPazes - Porto

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"Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não exisitiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar."



Penso ser uma boa oportunidade de explorar esta arte de dançar muito antiga inspirada no mito de Shiva Natarája. Shiva é um dos aspectos do absoluto manifestado e significa o benéfico e o auspicioso. Ele representa a transformação, a dedicação total à chamada vida espiritual e à busca do conhecimento e ainda a destruição completa da ignorância e quaisquer obstáculos que possam existir.
Natarája significa bailarino real e nyása identificação. Podemos observar em Natarája a combinação do asceta (o yogi) com o artista (dançarino).




segunda-feira, março 23, 2009

OS OBSTÁCULOS DO YOGI, segundo Patañjali

Nos sútras 30 e 31 do primeiro capítulo dos Yoga Sútras, Patañjali apresenta-nos os 9 obstáculos com que o praticante se pode deparar no seu caminho em direcção a kaivalya (libertação) e os seus 4 sintomas.

Marisa em mayúrásana



.Vyádhistyánasamshayapramádálasyaviratibhrántidarshanálabdhabhúmikatvánavasthitatváni chittavikshepáste ' ntaráyáh //30//

.Doença, inércia, dúvida, negligência, preguiça, volubilidade, equivocação, inconstância e instabilidade. Estas 9 distracções mentais são os obstáculos //30//
"Estes 9 obstáculos provocam a dispersão da mente. Eles aparecem junto com as flutuações da consciência. Na ausência deles os vrittis não se manifestam."

De facto os Yoga Sútras são um tratado fundamental para todo o praticante e estudioso de Yoga. Patañjali fornece-nos instruções precisas e valiosas sobre vários assuntos relacionados com o trabalho interior a desenvolver pelo praticante. Neste caso apresenta-nos os 9 obstáculos que podem aparecer no caminho do yogi. São como pedras que o yogi terá que saber contornar depois de as reconhecer. Esse reconhecimento é-nos facilitado pelos sintomas que surgem relacionados com os obstáculos (veremos quais são no seguinte sútra).

Saber a existência destes obstáculos e que muitos yogis, antes de nós, já os encontraram e souberam superá-los de certa forma conforta e tranquiliza o praticante iniciante. Passemos então a uma pequena exposição de cada um dos 9 obstáculos:


Vyádhi - "Doença é o desequilíbrio dos doshas [humores corporais], as secreções e os órgãos do corpo." Se o veículo (corpo físico) adoece, o condutor não poderá ir muito longe. Para o yogi o corpo físico é a ferramenta base para o seu caminho e tudo deve fazer para mantê-lo saudável. Uma boa alimentação, respeitar os ritmos do corpo, descansar bem, manter o corpo e mente purificados, etc., são algumas das coisas fundamentais a ter em conta. Estando doente, as energias do praticante esgotam-se na doença em vez de se concentrarem no sádhana (prática).

Styána - "Inércia é a falta de preparo ou incapacidade da mente." Neste estado letárgico o praticante não tem objectivos, caminho ou entusiasmo (não confundir isto com o estado de realização onde o yogi não mais tem desejos ou objectivos. Aqui falamos da falta de vontade em praticar ou realizar acções que o façam progredir e desembaraçar-se da ignorância). A sua mente e intelecto tornam-se entorpecidos devido à inactividade. Esta inércia não faz florescer nada, como acontece com as águas estagnadas. Pode dever-se a comer muito e/ou mal, temperaturas muito frias, ou simplesmente razões mentais.

Samshaya - "Dúvida é o pensamento disjuntivo, como "pode ser isto" ou "pode não ser isto". Esta dúvida é diferente do trabalho de auto-estudo (svádhyaya) que o praticante deve desenvolver, questionando, perguntando, duvidando para poder progredir no seu caminho. Aqui a dúvida toma o sentido de indecisão, onde o praticante não sabe se há-se ir por ali ou por aqui, se deve praticar ou não, se confia no ensinamento, no mestre, na vida... No início é normal haver dúvidas, mas uma vez encontrado o caminho há que ter shraddha (confiança) naquilo que lhe é ensinado e especialmente na ordem que está por detrás de tudo. Om sarvam vai púrnam (tudo está perfeitamente bem).

Pramáda - "Negligência é não pensar nos processos de concentração". Pramáda também pode ser entendido como indiferença e insensibilidade. Esta é uma pessoa cheia de orgulho, falta-lhe humildade ao pensar que sozinho pode chegar longe, julga-se sábio quando não o é. Tende a escolher o que é prazeroso para satisfazer os seus desejos e sonhos, muitas vezes sem escrúpulos sacrificando os que se coloquem na sua frente, apenas pela gratificação pessoal. Ter pressa e ambição para conquistar o nosso objectivo (mesmo sendo kaivalya) também pode ser considerado pramáda. É importante dar tempo para praticar, estudar e assimilar o Yoga.

Álasya - "Preguiça é a falta de disposição que surge da letargia do corpo e da mente." Este é daqueles obstáculos fáceis de perceber. Aquela preguiça que nos dá pela manhã e que nos diz para ficarmos na cama mais uns minutos em vez de irmos praticar. A preguiça que adia para amanhã a prática e o estudo que podemos desenvolver hoje e a mesma preguiça que arranja sempre alguma boa desculpa para não fazer algo que sabemos que deve ser feito e que ainda por cima nos é benéfico. Muita energia e entusiasmo são necessários para remover este obstáculo. A nossa atitude deve ser semelhante à de quando estamos enamorados e fazemos de tudo para estar com a nossa amada... nessas alturas onde está a preguiça?

Avirati - "A volubilidade surge do apego aos objectos mundanos." É o satisfazer o desejo pelos objectos sensoriais. Com a prática de pratyáhára (recolhimento dos sentidos) o yogi ganha liberdade em relação ao apego a estes objectos, tornando-se sereno e tranquilo. Cultivar viveka (discernimento) ajuda-o a perceber o mundo de forma objectiva, retirando pouco a pouco o valor subjectivo anteriormente dado a esses objectos.

Bhránti darshana - "As concepções erróneas são conhecimento falso." Outras palavras que descrevem este obstáculo são ignorância, arrogância, equivocação. Trata-se de uma distracção da mente baseada em algo não verdadeiro, conhecimento inválido. Com a mente dominada pela arrogância fica difícil o praticante reconhecer a sua ignorância e o muito que ainda tem a aprender. É fundamental manter a humildade, a simplicidade e procurar a companhia daqueles que detêm o conhecimento para que nos possam guiar e clarificar.

Alabdha bhúmikatva - Inconstância. "A falta de preseverança é a impossibilidade de se estabelecer firmemente em algum dos estágios do Yoga." O praticante tem por vezes vislumbres do que pode ser a sua Natureza Real, mas ainda lhe falta escalar mais um pouco para ver com claridade e de forma permanente. Muitas vezes, quando vemos que ainda há caminho para percorrer, podemos ficar desapontados e desanimados pensando coisas como "eu pensava que era isto, que já tinha chegado e afinal não.... agora acho que já não tenho força nem vontade para continuar... não consigo mais".

Anavasthitattva - "A instabilidade para permanecer no estado conquistado na prática vincula-se ao fracasso em manter esse estado [de concentração]." Anavasthittva é a falta de força e poder para manter um determinado estado alcançado. Muitas vezes é o orgulho resultante das coisas que já alcançou que torna o yogi fraco e frouxo no seu sádhana (prática). É preciso não afrouxar para não perdermos aquilo que já alcançámos, são precisos anos (vidas quiçá) de esforço e determinação para retirar as malhas da ilusão, mas basta uma acção ou um pensamento equivocado para estragar o trabalho feito. Há que manter-nos firmes no sádhana até ao dia em que, em estado de liberado, as acções aconteçam espontâneamente de acordo com a ordem universal.


Agora os sintomas:
. Duhkhadaurmanasyángamejayatvashvásaprashvásá vikshepasahabhuvah //31//

. Sofrimento, desespero, instabilidade física e respiração irregular surgem desses obstáculos. //31//

Os sintomas são estes. Ao senti-los é certo que estamos na presença de um ou mais obstáculos. São consequência dos obstáculos. Estes "acompanhantes" dos obstáculos são manifestações físicas e por isso mais fáceis de perceber do que os outro 9. Quando nos damos conta de um destes sintomas é uma pista para sabermos que algo se passa num plano mais subtil.

Observar estes sintomas pode servir como um lembrete de que perdemos temporariamente o nosso foco e assim poder voltar a recuperá-lo.

Duhkha - Dor ou sofrimento. "O sofrimento é de 3 tipos: ádhyátmika (surge no interior da pessoa), ádhibhautika (surge no relacionamento com os demais) e ádhidaivika (provocado pelos fenómenos naturais)."

Daurmanasya - Desespero, depressão. "O desespero acontece quando os desejos não são preenchidos ou quando as expectativas não se concretizam."

Angamejayatva - Instabilidade física. Tremor do corpo.

Shvásaprashvásá - Inspiração e expiração (está implicito uma irregularidade no processo de inspirar e expirar). "A respiração irregular surge de uma mente dispersa, não concentrada."




Nota: Todas as partes em itálico são extractos de comentários de Vyása (importante comentador dos Yoga Sútras), com tradução para português do Prof. Pedro Kupfer.



quarta-feira, fevereiro 18, 2009

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

PIÑCHA MAYÚRÁSANA

Piñcha mayúrásana



Piñcha = pluma, pena

Mayúra = pavão




Dicas de execução

1ª Fase





1- Inicie o piñcha mayúrásana sentando-se sobre os calcanhares, no chão, (vajrásana) com os joelhos juntos.

2- Coloque o cinto acima dos cotovelos de forma que estes fiquem à largura das axilas. A função do cinto yogi é manter os cotovelos estáveis sem deixá-los abrir.

3- Apoie os antebraços no chão, paralelos entre si, com as palmas das mãos voltadas para baixo. Coloque um bloco de cortiça (ou de outro material) entre as mãos, ficando os polegares e os indicadores apertando suavemente o bloco. As palmas das mãos ficam bem apoiadas no chão, como ventosas, os dedos um pouco afastados entre si.

4- Inspirando estique as pernas, formando uma espécie de triangulo entre as pernas e o tronco. Pés paralelos à largura dos quadris.

5- Mantenha os ombros alinhados com os cotovelos e o pescoço numa posição relaxada.

6- Se puder caminhe com os pés em direcção da cabeça, mantendo as pernas esticadas (sem deixar os ombros baixarem à frente).

7- A dinâmica deste ásana assemelha-se à do adhomukha shvanásana, mas neste caso com os antebraços no chão.

8- Respire algumas vezes de forma tranquila.




2ª Fase



9- Fique de costas para a parede.

10- Construa a variação anterior usando a parede para apoiar os pés, de forma que as pernas fiquem paralelas ao chão.

11- A distância à parede deve ser tal que as pernas, ao ficarem esticadas, permitam a verticalidade do tronco e braços (mantendo os ombros alinhados com os cotovelos).

12- É fundamental manter as coxas bem activas, os pés empurrando a parede e os cotovelos empurrando o chão para que os ombros se mantenham alinhados.

13- É uma variação muito forte mas muito importante para o praticante ganhar estrutura. Sentirá enormes progressos no piñcha mayúrásana completo.

14- Pode experimentar tirar uma perna de cada vez para cima, mantendo-a em linha com o tronco e braços.




3ª Fase






15 – Encoste o bloco de cortiça ao rodapé ou parede. Repita os passos 1 a 8.

16 – Tire uma perna para cima e com um salto suba as duas pernas de encontro à parede. Mantenha o corpo bem esticado em direcção do tecto.

17- O salto pode ser feito com uma perna de cada vez ou com as duas ao mesmo tempo. Com a prática poderá fazer isso de forma bem subtil.

18 – Tente tirar um pé da parede e depois o outro, ficando em equilíbrio sobre os antebraços completando o piñcha mayúrásana. Cabeça fora do chão, olhando para trás ou para baixo, corpo em linha crescendo para cima.

19 – Alinhe os quadris e recolha o baixo ventre (uddiyana bandha) para não afundar a zona lombar nem fazer “rabo de pato”. Pernas juntas, esticadas e coxas activas. Plantas dos pés voltadas para o tecto. Ombros em linha com os cotovelos.





4ª Fase







20 – Experimente subir à verticalidade a partir do passo 14, tirando a outra perna para cima. Certifique-se que já tem um bom domínio sobre a posição.

21 – Depois de dominar com a ajuda da parede, bloco e cinto, comece a tentar sem o auxílio destes.

22 – Uma boa opção para chegar ao piñcha mayúrásana é partindo do shírshásana (invertida sobre a cabeça). O único que tem que fazer é tirar a cabeça do chão, continuando a manter o corpo alinhado verticalmente. Respire tranquilamente empurrando o chão com os cotovelos para subir a cabeça.



Outras sugestões:


É fundamental estar bem atento à respiração na hora de entrar, permanecer e sair do piñcha mayúrásana. Pode entrar inspirando ou expirando, sendo um movimento de elevação recomenda-se a inspiração mas caso sinta que tem tendência a ficar tenso ou a reter o ar melhor entrar expirando (pelo menos enquanto não dominar bem). Procure fazer respirações pausadas na permanência e, se possível, equilibrar os tempos da inspiração e da expiração (ex: inspire em 5 seg e expire em 5 seg). Para sair faça-o com expiração. Com a prática tente também entrar e sair do ásana no mesmo ritmo sugerido para a permanência, isso lhe proporcionará um foco muito grande na prática e um estado de grande serenidade.


Benefícios do piñcha mayúrásana

  • Desenvolve a musculatura e toda a estrutura dos braços, ombros e costas.
  • Fortalece a espinha e alonga os músculos abdominais, os ombros, pescoço e o peito.
  • Melhora o senso de equilíbrio.
  • Acalma o cérebro e ajuda a aliviar o stress e pequenas depressões.
  • Efeitos semelhantes aos do shírshásana (a invertida sobre a cabeça).



Contra-indicações:


Consulte o seu médico e professor de Yoga antes de tentar este ou outro ásana. Recomendamos especial atenção nos casos de: dor de cabeça, problemas cardíacos, hipertensão, menstruação, lesão nas costas, ombros ou pescoço.



Atenção


Estas dicas não substituem um professor de Yoga. São disponibilizadas apenas para que o praticante possa aprimorar sua técnica. A prática sob a supervisão cuidadosa de um instrutor preparado e competente é essencial para o sucesso na prática, bem como para evitar lesões. O autor não se responsabiliza pelo mal uso que possa ser feito destes textos.