segunda-feira, maio 25, 2009

YOGA VIVEKA II, 3 a 5 de Julho, Karuna, Monchique

«Yoga Viveka II»

Discernimento na prática e na vida
3, 4 e 5 de Julho.

Casa Karuna
Serra de Monchique
Algarve

Com Bruno Teixeira, Miguel Homem e Simão Monteiro

3 dias em boa companhia, imerso na prática e ensinamento do Yoga, com muito sol e kirtan.
Para aqueles que queiram aproveitar o calor e a luz do Verão para se reconhecerem melhor: 3 dias de prática de Hatha Yoga Tradicional com shat karma, ásana, pranayama, yoganidrá, mudrá e meditação imbuídos no ensinamento vedico..

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veja aqui as fotos do Yoga Viveka em 2008


YOGA VIVEKA II

Programa:

... Sexta, dia 3 ...

17:30 Chegada.
18:00 Boas-vindas e apresentação do evento.
18:30
Prática Inicial de Yoga: Miguel
shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e meditação.
20:30 Jantar
21:30 Sat Sanga
22:00 Descanso


... Sábado, dia 4 ...

7:00 Silêncio e Meditação
7:30 Prática Matinal de Yoga: Simão
prática completa com: mantra, shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e dhyána (meditação).
9:30 Pequeno Almoço
11:00 Introdução à Bhagavad Gitá: Miguel
A Gita é um dos textos centrais da Tradição Védica e do Yoga e lida com as limitações universais do ser humano, como a ignorância, o sofrimento e a morte. O texto re­vela-nos que aqueles problemas humanos são causados pela ignorância acerca da real natureza de quem somos. Extraindo a sua essência das Upanishads, este conhecimento, brahmavid­ya, liberta-nos de qualquer sentido de limitação ou de sermos incompleto. Este é o principal ensinamento da Bhagavad Gita. Abordaremos a história da Gita, o seu contexto, bem como o seu precioso ensinamento.
13:00 Almoço
16:00 Yoga e Mitologia: Bruno
Yoga e Mitologia Hindu:Pretende-se, através desta reflexão e prática, dar a conhecer um pouco mais sobre o imaginário que fundamenta e permeia a cultura Yoguica na forma de arquétipos e histórias de sabedoria.
Nesta introdução á mitologia hindu, passaremos a conhecer melhor as ideias e atitudes por dentro dos vários nomes e formas que representam o absoluto nas suas mais diversas manifestações, e suas aplicações no dia a dia, na vida e no estudo e prática do Yoga.
18:00 Vinyasa Krama Yoga: Simão
O Vinyasa Krama é um método sistemático para estudar, praticar, ensinar e adaptar o Yoga. É uma antiga prática física e espiritual de desenvolvimento humano.O Vinyasa Krama Yoga integra corpo e mente através da respiração. A mente ao seguir a respiração torna-se parte de todo o processo, levando o praticante a um estado de aquietamento profundo.
20:00 Jantar
21:00 Sat Sanga
22:00
Descanso


... Domingo, dia 5 ...

7:00 Silêncio e Meditação
7:30 Prática Matinal de Yoga: Bruno
prática completa com: mantra, shat karma, ásana, yoganidrá, pránáyáma e dhyána (meditação).
9:30 Pequeno Almoço
11:00 Reflexão sobre o Yoga de Patañjali: Simão
Os Yoga Sútras ("Aforismos do Yoga"), antigo tratado de Yoga da autoria de Patañjali, é uma das mais importantes e antigas obras escritas sobre Yoga. São um autêntico "mapa" para o praticante explorar, conhecer e ir mais além dos aspectos densos e subtis do complexo corpo-energia-mente-ego-intelecto. Eles são sobretudo instruções precisas e exactas, resultantes de séculos de aprofundamento e experiência por parte dos yogis antigos, de como o praticante pode chegar a conhecer-se a Si Mesmo. Os sútras são antigos mas ao mesmo tempo incrivelmente actuais, pois o ser humano continua a deparar-se com os mesmos problemas existenciais.
12:00 Os mudrás do Hatha Yoga: Miguel
Os mudrás do Hatha Yoga são um tema nem sempre bem compreendido. Alguns julgam-nos apenas gestos das mãos, os chamados hasta mudrás. No entanto, existem outros, técnicas específicas que são feitas com o corpo. Não são ásanas, não são hasta mudrás, não são pránáyámas, não são exercícios de concentração ou de visualização, mas uma combinação de todas essas técnicas ou de parte delas.Nesta vivência vamos entender e aprender a executar os principais mudrás do Hatha.
13:00 Almoço
15:00 Nada Yoga e Meditação: Bruno
Náda, termo técnico do Mantrashástra (a ciência do mantra), traduzido por som, não significa som "denso" ou audível, mas antes o seu contrário. O Yoga do Som convida-nos à compreensão e percepção da sonoridade e vibração mais subtil conhecida como Shabdabrahman (som primordial ou essêncial que se percebe no estado de Samádhi).
A principal técnica deste Yoga é o nádánusandhána que nos permite abstração do exterior e mais condições para a investigação interior. O estado meditativo que se alcança após a concentração em sons cada vez mais subtis conduz ao Parabrahman, que é silencioso ou sem sons.Nesta vivência aprenderemos a desenvolver as qualidades necessárias ao sucesso desta prática.
16:00 Kirtan de Encerramento.

(programa sujeito a pequenas alterações)



Praticantes de quaisquer tradições são bem-vindos!


Professores:


.Miguel Homem


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Miguel Homem estudou Tantra Yoga e Meditação com o Dada Dhyanananda, aprofunda-se no estudo e prática de ásana segundo o método Iyengar desde 2004, fez o curso completo de formação para instrutores de Yoga com Pedro Kupfer no Brasil e estuda Vedanta no Dayananda Ashram, em Rishikesh (Índia) com Pujya Swami Dayananda. Desde 2007 estuda Yoga e Ayurveda com Vamadeva Shastri (Dr. David Frawley do American Institute of Vedic Studies). Aprendeu ainda a arte do Thai Yoga Massagem com Choenzom Emchi, que começou a aplicar recentemente.
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http://www.dharmabindu.com/
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Simão Monteiro


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- Ensina Yoga desde o ano de 2001. - Formação em Swásthya Yoga (Lisboa, 2001 e 2002).
- Professor de Yoga certificado pela APIPSY, Prof. Edson Moreira (Barcelona, 2003 ).
- Ensinou em diversos centros e ginásios de Portugal (2001 e 2002) e Espanha (2003 e 2004) e fez viagens de estudo à Índia e ao Brasil (2004 e 2005).
- Organizador e orientador de workshops, retiros e encontros de Yoga desde 2005.
- Formação em Yoga orientado pelo Prof. Pedro Kupfer: Módulo I e II (em curso), intensivo e residêncial, na Quinta das Águias (Portugal, 2008/9). - Pratica Yoga com o Prof. Nuno Cabral em Lisboa (desde 2008).
- Retiro de Vedanta com o Swami Dayananda Saraswati (Portugal, 2008).
- Desde o ano de 2006 ensina Hatha Yoga Tradicional em Lisboa, Cascais e Almada.
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http://www.yogabindu.blogspot.com/
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Bruno Teixeira


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Fez formação profissional intensiva e extensiva sob a orientação do Prof. Edson Moreira e de outros amigos Yoguis (1998/2002), tornando-se instrutor de Yoga certificado pela APIPSY, (Espanha, Barcelona, 2002 ).
Referência especial à inspiração e orientação do Prof. Bal Krishna na prática da meditação (2003/09).
Formação em Yoga orientado pelo Prof. Pedro Kupfer; Módulo I e II (em curso), intensivo e residêncial, na Quinta das Águias (Portugal, 2008/9); Assinala-se a presença no Retiro de Jñana Yoga (Advaita Vedanta), da primeira vinda do Swami Dayananda Saraswati a Portugal.
Desde 1997, que se envolveu na prática e no estudo do Yoga e da Meditação, que o têm levado a uma vivência intensa e sincera dos ensinamentos, nomeadamente do Sámkhya, do Ashtanga Yoga de Sri Patãnjali, da filosofia Tríka (Shivaísmo de Caxemira), do Bhakti Yoga e Nada Yoga (mantra,kirtan, japa), do Tantra, do Hatha Yoga Tradicional segundo as observações dos textos clássicos e do Jñana Yoga de acordo com a tradição de Advaita Vedanta de Adí Shankarachárya, muito humildemente agradecidos a todos os que contribuiram e contribuem...
Orienta e organiza retiros, workshops e encontros de Yoga, Música e Meditação.
Fundador e co-orientador do PazPazes, Organismo Multidisciplinar de Cooperação, Formação e Desenvolvimento Humano (Porto-Gaia 2003/09);

segunda-feira, maio 04, 2009

Curso de SHIVA NATA no PazPazes - Porto

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"Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não exisitiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar."



Penso ser uma boa oportunidade de explorar esta arte de dançar muito antiga inspirada no mito de Shiva Natarája. Shiva é um dos aspectos do absoluto manifestado e significa o benéfico e o auspicioso. Ele representa a transformação, a dedicação total à chamada vida espiritual e à busca do conhecimento e ainda a destruição completa da ignorância e quaisquer obstáculos que possam existir.
Natarája significa bailarino real e nyása identificação. Podemos observar em Natarája a combinação do asceta (o yogi) com o artista (dançarino).




segunda-feira, março 23, 2009

OS OBSTÁCULOS DO YOGI, segundo Patañjali

Nos sútras 30 e 31 do primeiro capítulo dos Yoga Sútras, Patañjali apresenta-nos os 9 obstáculos com que o praticante se pode deparar no seu caminho em direcção a kaivalya (libertação) e os seus 4 sintomas.

Marisa em mayúrásana



.Vyádhistyánasamshayapramádálasyaviratibhrántidarshanálabdhabhúmikatvánavasthitatváni chittavikshepáste ' ntaráyáh //30//

.Doença, inércia, dúvida, negligência, preguiça, volubilidade, equivocação, inconstância e instabilidade. Estas 9 distracções mentais são os obstáculos //30//
"Estes 9 obstáculos provocam a dispersão da mente. Eles aparecem junto com as flutuações da consciência. Na ausência deles os vrittis não se manifestam."

De facto os Yoga Sútras são um tratado fundamental para todo o praticante e estudioso de Yoga. Patañjali fornece-nos instruções precisas e valiosas sobre vários assuntos relacionados com o trabalho interior a desenvolver pelo praticante. Neste caso apresenta-nos os 9 obstáculos que podem aparecer no caminho do yogi. São como pedras que o yogi terá que saber contornar depois de as reconhecer. Esse reconhecimento é-nos facilitado pelos sintomas que surgem relacionados com os obstáculos (veremos quais são no seguinte sútra).

Saber a existência destes obstáculos e que muitos yogis, antes de nós, já os encontraram e souberam superá-los de certa forma conforta e tranquiliza o praticante iniciante. Passemos então a uma pequena exposição de cada um dos 9 obstáculos:


Vyádhi - "Doença é o desequilíbrio dos doshas [humores corporais], as secreções e os órgãos do corpo." Se o veículo (corpo físico) adoece, o condutor não poderá ir muito longe. Para o yogi o corpo físico é a ferramenta base para o seu caminho e tudo deve fazer para mantê-lo saudável. Uma boa alimentação, respeitar os ritmos do corpo, descansar bem, manter o corpo e mente purificados, etc., são algumas das coisas fundamentais a ter em conta. Estando doente, as energias do praticante esgotam-se na doença em vez de se concentrarem no sádhana (prática).

Styána - "Inércia é a falta de preparo ou incapacidade da mente." Neste estado letárgico o praticante não tem objectivos, caminho ou entusiasmo (não confundir isto com o estado de realização onde o yogi não mais tem desejos ou objectivos. Aqui falamos da falta de vontade em praticar ou realizar acções que o façam progredir e desembaraçar-se da ignorância). A sua mente e intelecto tornam-se entorpecidos devido à inactividade. Esta inércia não faz florescer nada, como acontece com as águas estagnadas. Pode dever-se a comer muito e/ou mal, temperaturas muito frias, ou simplesmente razões mentais.

Samshaya - "Dúvida é o pensamento disjuntivo, como "pode ser isto" ou "pode não ser isto". Esta dúvida é diferente do trabalho de auto-estudo (svádhyaya) que o praticante deve desenvolver, questionando, perguntando, duvidando para poder progredir no seu caminho. Aqui a dúvida toma o sentido de indecisão, onde o praticante não sabe se há-se ir por ali ou por aqui, se deve praticar ou não, se confia no ensinamento, no mestre, na vida... No início é normal haver dúvidas, mas uma vez encontrado o caminho há que ter shraddha (confiança) naquilo que lhe é ensinado e especialmente na ordem que está por detrás de tudo. Om sarvam vai púrnam (tudo está perfeitamente bem).

Pramáda - "Negligência é não pensar nos processos de concentração". Pramáda também pode ser entendido como indiferença e insensibilidade. Esta é uma pessoa cheia de orgulho, falta-lhe humildade ao pensar que sozinho pode chegar longe, julga-se sábio quando não o é. Tende a escolher o que é prazeroso para satisfazer os seus desejos e sonhos, muitas vezes sem escrúpulos sacrificando os que se coloquem na sua frente, apenas pela gratificação pessoal. Ter pressa e ambição para conquistar o nosso objectivo (mesmo sendo kaivalya) também pode ser considerado pramáda. É importante dar tempo para praticar, estudar e assimilar o Yoga.

Álasya - "Preguiça é a falta de disposição que surge da letargia do corpo e da mente." Este é daqueles obstáculos fáceis de perceber. Aquela preguiça que nos dá pela manhã e que nos diz para ficarmos na cama mais uns minutos em vez de irmos praticar. A preguiça que adia para amanhã a prática e o estudo que podemos desenvolver hoje e a mesma preguiça que arranja sempre alguma boa desculpa para não fazer algo que sabemos que deve ser feito e que ainda por cima nos é benéfico. Muita energia e entusiasmo são necessários para remover este obstáculo. A nossa atitude deve ser semelhante à de quando estamos enamorados e fazemos de tudo para estar com a nossa amada... nessas alturas onde está a preguiça?

Avirati - "A volubilidade surge do apego aos objectos mundanos." É o satisfazer o desejo pelos objectos sensoriais. Com a prática de pratyáhára (recolhimento dos sentidos) o yogi ganha liberdade em relação ao apego a estes objectos, tornando-se sereno e tranquilo. Cultivar viveka (discernimento) ajuda-o a perceber o mundo de forma objectiva, retirando pouco a pouco o valor subjectivo anteriormente dado a esses objectos.

Bhránti darshana - "As concepções erróneas são conhecimento falso." Outras palavras que descrevem este obstáculo são ignorância, arrogância, equivocação. Trata-se de uma distracção da mente baseada em algo não verdadeiro, conhecimento inválido. Com a mente dominada pela arrogância fica difícil o praticante reconhecer a sua ignorância e o muito que ainda tem a aprender. É fundamental manter a humildade, a simplicidade e procurar a companhia daqueles que detêm o conhecimento para que nos possam guiar e clarificar.

Alabdha bhúmikatva - Inconstância. "A falta de preseverança é a impossibilidade de se estabelecer firmemente em algum dos estágios do Yoga." O praticante tem por vezes vislumbres do que pode ser a sua Natureza Real, mas ainda lhe falta escalar mais um pouco para ver com claridade e de forma permanente. Muitas vezes, quando vemos que ainda há caminho para percorrer, podemos ficar desapontados e desanimados pensando coisas como "eu pensava que era isto, que já tinha chegado e afinal não.... agora acho que já não tenho força nem vontade para continuar... não consigo mais".

Anavasthitattva - "A instabilidade para permanecer no estado conquistado na prática vincula-se ao fracasso em manter esse estado [de concentração]." Anavasthittva é a falta de força e poder para manter um determinado estado alcançado. Muitas vezes é o orgulho resultante das coisas que já alcançou que torna o yogi fraco e frouxo no seu sádhana (prática). É preciso não afrouxar para não perdermos aquilo que já alcançámos, são precisos anos (vidas quiçá) de esforço e determinação para retirar as malhas da ilusão, mas basta uma acção ou um pensamento equivocado para estragar o trabalho feito. Há que manter-nos firmes no sádhana até ao dia em que, em estado de liberado, as acções aconteçam espontâneamente de acordo com a ordem universal.


Agora os sintomas:
. Duhkhadaurmanasyángamejayatvashvásaprashvásá vikshepasahabhuvah //31//

. Sofrimento, desespero, instabilidade física e respiração irregular surgem desses obstáculos. //31//

Os sintomas são estes. Ao senti-los é certo que estamos na presença de um ou mais obstáculos. São consequência dos obstáculos. Estes "acompanhantes" dos obstáculos são manifestações físicas e por isso mais fáceis de perceber do que os outro 9. Quando nos damos conta de um destes sintomas é uma pista para sabermos que algo se passa num plano mais subtil.

Observar estes sintomas pode servir como um lembrete de que perdemos temporariamente o nosso foco e assim poder voltar a recuperá-lo.

Duhkha - Dor ou sofrimento. "O sofrimento é de 3 tipos: ádhyátmika (surge no interior da pessoa), ádhibhautika (surge no relacionamento com os demais) e ádhidaivika (provocado pelos fenómenos naturais)."

Daurmanasya - Desespero, depressão. "O desespero acontece quando os desejos não são preenchidos ou quando as expectativas não se concretizam."

Angamejayatva - Instabilidade física. Tremor do corpo.

Shvásaprashvásá - Inspiração e expiração (está implicito uma irregularidade no processo de inspirar e expirar). "A respiração irregular surge de uma mente dispersa, não concentrada."




Nota: Todas as partes em itálico são extractos de comentários de Vyása (importante comentador dos Yoga Sútras), com tradução para português do Prof. Pedro Kupfer.



quarta-feira, fevereiro 18, 2009

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

PIÑCHA MAYÚRÁSANA

Piñcha mayúrásana



Piñcha = pluma, pena

Mayúra = pavão




Dicas de execução

1ª Fase





1- Inicie o piñcha mayúrásana sentando-se sobre os calcanhares, no chão, (vajrásana) com os joelhos juntos.

2- Coloque o cinto acima dos cotovelos de forma que estes fiquem à largura das axilas. A função do cinto yogi é manter os cotovelos estáveis sem deixá-los abrir.

3- Apoie os antebraços no chão, paralelos entre si, com as palmas das mãos voltadas para baixo. Coloque um bloco de cortiça (ou de outro material) entre as mãos, ficando os polegares e os indicadores apertando suavemente o bloco. As palmas das mãos ficam bem apoiadas no chão, como ventosas, os dedos um pouco afastados entre si.

4- Inspirando estique as pernas, formando uma espécie de triangulo entre as pernas e o tronco. Pés paralelos à largura dos quadris.

5- Mantenha os ombros alinhados com os cotovelos e o pescoço numa posição relaxada.

6- Se puder caminhe com os pés em direcção da cabeça, mantendo as pernas esticadas (sem deixar os ombros baixarem à frente).

7- A dinâmica deste ásana assemelha-se à do adhomukha shvanásana, mas neste caso com os antebraços no chão.

8- Respire algumas vezes de forma tranquila.




2ª Fase



9- Fique de costas para a parede.

10- Construa a variação anterior usando a parede para apoiar os pés, de forma que as pernas fiquem paralelas ao chão.

11- A distância à parede deve ser tal que as pernas, ao ficarem esticadas, permitam a verticalidade do tronco e braços (mantendo os ombros alinhados com os cotovelos).

12- É fundamental manter as coxas bem activas, os pés empurrando a parede e os cotovelos empurrando o chão para que os ombros se mantenham alinhados.

13- É uma variação muito forte mas muito importante para o praticante ganhar estrutura. Sentirá enormes progressos no piñcha mayúrásana completo.

14- Pode experimentar tirar uma perna de cada vez para cima, mantendo-a em linha com o tronco e braços.




3ª Fase






15 – Encoste o bloco de cortiça ao rodapé ou parede. Repita os passos 1 a 8.

16 – Tire uma perna para cima e com um salto suba as duas pernas de encontro à parede. Mantenha o corpo bem esticado em direcção do tecto.

17- O salto pode ser feito com uma perna de cada vez ou com as duas ao mesmo tempo. Com a prática poderá fazer isso de forma bem subtil.

18 – Tente tirar um pé da parede e depois o outro, ficando em equilíbrio sobre os antebraços completando o piñcha mayúrásana. Cabeça fora do chão, olhando para trás ou para baixo, corpo em linha crescendo para cima.

19 – Alinhe os quadris e recolha o baixo ventre (uddiyana bandha) para não afundar a zona lombar nem fazer “rabo de pato”. Pernas juntas, esticadas e coxas activas. Plantas dos pés voltadas para o tecto. Ombros em linha com os cotovelos.





4ª Fase







20 – Experimente subir à verticalidade a partir do passo 14, tirando a outra perna para cima. Certifique-se que já tem um bom domínio sobre a posição.

21 – Depois de dominar com a ajuda da parede, bloco e cinto, comece a tentar sem o auxílio destes.

22 – Uma boa opção para chegar ao piñcha mayúrásana é partindo do shírshásana (invertida sobre a cabeça). O único que tem que fazer é tirar a cabeça do chão, continuando a manter o corpo alinhado verticalmente. Respire tranquilamente empurrando o chão com os cotovelos para subir a cabeça.



Outras sugestões:


É fundamental estar bem atento à respiração na hora de entrar, permanecer e sair do piñcha mayúrásana. Pode entrar inspirando ou expirando, sendo um movimento de elevação recomenda-se a inspiração mas caso sinta que tem tendência a ficar tenso ou a reter o ar melhor entrar expirando (pelo menos enquanto não dominar bem). Procure fazer respirações pausadas na permanência e, se possível, equilibrar os tempos da inspiração e da expiração (ex: inspire em 5 seg e expire em 5 seg). Para sair faça-o com expiração. Com a prática tente também entrar e sair do ásana no mesmo ritmo sugerido para a permanência, isso lhe proporcionará um foco muito grande na prática e um estado de grande serenidade.


Benefícios do piñcha mayúrásana

  • Desenvolve a musculatura e toda a estrutura dos braços, ombros e costas.
  • Fortalece a espinha e alonga os músculos abdominais, os ombros, pescoço e o peito.
  • Melhora o senso de equilíbrio.
  • Acalma o cérebro e ajuda a aliviar o stress e pequenas depressões.
  • Efeitos semelhantes aos do shírshásana (a invertida sobre a cabeça).



Contra-indicações:


Consulte o seu médico e professor de Yoga antes de tentar este ou outro ásana. Recomendamos especial atenção nos casos de: dor de cabeça, problemas cardíacos, hipertensão, menstruação, lesão nas costas, ombros ou pescoço.



Atenção


Estas dicas não substituem um professor de Yoga. São disponibilizadas apenas para que o praticante possa aprimorar sua técnica. A prática sob a supervisão cuidadosa de um instrutor preparado e competente é essencial para o sucesso na prática, bem como para evitar lesões. O autor não se responsabiliza pelo mal uso que possa ser feito destes textos.



quinta-feira, janeiro 08, 2009

PRÓXIMOS CURSOS



"Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não exisitiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar."









2 CURSOS NO PAZPAZES, PORTO

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

AS FOTOS DO RETIRO DE YOGA NA CASA DA EIRA

5 a 8 de dezembro de 2008

Um retiro mais instrospectivo e intimista, onde as práticas e o conhecimento tiveram outra força... um muito obrigado às pessoas que participaram e à Tina, a nossa anfitriã.














terça-feira, dezembro 09, 2008

O propósito do Hatha Yoga - por Miguel Homem



Aonde se propõe chegar o Hatha Yoga?

A Hatha Yoga Pradípiká diz-nos:

“O Yogi Svátmáráma, depois de saudar solenemente a deidade e seu guru, estabelece, desde o início, que o ensinamento do Hatha Yoga é somente um meio para a realização do Rája Yoga.” (I-2)

E a Gheranda-Samhitá:

“Curvo-me perante Ádíshvaráya que ensinou, no início, a ciência do Hatha Yoga, a ciência que representa o primeiro degrau da escada que leva à suprema altura do Rája Yoga.” (verso introdutório ao capítulo I)

Ao ler estas passagens naturalmente surge a dúvida: será que o Hatha Yoga não estará à altura de outros Yogas? Será um Yoga menor? A passagem seguinte da Hatha Yoga Pradípiká pode esclarecer-nos:

“Rája Yoga, samádhi, unmaní, manomaní, amaratava, láyá, tattva, shúnyashúnya, paramapáda, amanaska, advaita, niralámba, nirañjana, jívanmukti, sahaja e túriya são sinónimos.” (IV, 3-4).

Esta passagem parece-me especialmente relevante por vários motivos. Em primeiro lugar ajuda-nos a compreender o sentido dos versos iniciais da Hatha Yoga Pradípiká e da Gheranda Samhitá. A referência ao Rája Yoga enquanto objectivo do Hatha é feita não em relação ao método, mas em relação ao fim, ao estado final a alcançar. Depois mostra-nos a identidade entre vários conceitos de estados que, à primeira vista, poderiam parecer distintos. Assim, Rája Yoga e samádhi são tidos como equivalentes. De entre os citados vejamos outros com maior interesse para o nosso estudo.

Unmaní, manomaní são conceitos tipícos do nátha sampradáya e definem o estado de negação da mente (un-maní) ou posto de outro modo, o estado de consciência além da mente (mano-maní). Nomes diferentes para designar o que Patañjali apelidou de asamprajñáta samádhi ou nirvikalpa samádhi. Veja-se a Hatha Yoga Pradípiká (IV, 60-62).

Tattva, a realidade, é uma composição do Vedánta mahávakhya Tat tvam asi, ou seja, uma das grandes afirmações das Upanishads, tu és aquilo, a identidade entre o jíva e Brahman. “Eu sou Brahma, Eu não sou mais nada, Brahma sou certamente Eu; Eu não participo da tristeza, Eu sou existência, consciência., felicidade, sempre livre, de uma só essência”, diz a Gheranda Samhitá (VII, 4), um dos textos clássicos do Hatha Yoga.

Advaita, não dualidade, é o qualificativo da doutrina monista ensinada por Adi Shankarachárya, segundo a qual existe apenas uma realidade independente e eterna, Brahman – Brahman é satyam, tudo o resto é mithyam. Brahman é absolutamente real, tudo o resto depende dele para a sua existência.

Turíya, foi descrito na Mándukhya Upanishad (7) como o que está além dos três avasthás, vigília, sonho e o sono profundo, o átman. A consciência inerente aqueles estados, mas vista da sua própria perspectiva, sem referência a qualquer nome e forma (námarúpa), é chamada de turíya. Turíya é nome da pura consciência.

Por aqui se percebe que a busca o Hatha Yoga é também a busca do conhecimento Aham Brahma’smi, Eu sou Brahman, e que as suas técnicas mais não buscam do que esse conhecimento.


“Somente o Conhecimento (Jñána) é eterno. Ele não tem início nem fim. Não existe nada fora ele. A aparente diversidade do mundo é resultante da limitação dos sentidos. Quando esta limitação desaparece, apenas o Conhecimento, e somente ele, resplandece.” Shiva Samhitá (I,1).


Deixo por fim, esta passagem do Gorakshabodha, um texto atribuído a Gorakshanátha na forma de diálogo entre este e o seu mestre Matsyendranátha
[1]:

“Gorakshanátha: Como pode alguém alcançar o samádhi? Como pode alguém libertar-se dos factores perturbadores? Como pode alguém adquirir turíya? Como pode alguém tornar o seu corpo imutável e imortal?

Matsyendranátha: O jovem entra em samádhi através da mente; ele liberta-se das perturbações através do alento vital? Ele adquire turíya através da atenção e conhecimento (jñána) e obedecendo e voltando-se para o Guru, ele alcança a imortalidade.” (67,68).



[1] A tradição do Sanatana Dharma associa a criação do Hatha Yoga a Matsyendranátha e ao seu discípulo Gorakshanátha.








*Miguel Homem pratica e ensina Yoga no Porto. Edita o site: www.dharmabindu.com



Não deixem de consultar dois textos sobre Hatha Yoga escritos pelo Pedro Kupfer aqui e aqui