segunda-feira, maio 04, 2009

Curso de SHIVA NATA no PazPazes - Porto

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"Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não exisitiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar."



Penso ser uma boa oportunidade de explorar esta arte de dançar muito antiga inspirada no mito de Shiva Natarája. Shiva é um dos aspectos do absoluto manifestado e significa o benéfico e o auspicioso. Ele representa a transformação, a dedicação total à chamada vida espiritual e à busca do conhecimento e ainda a destruição completa da ignorância e quaisquer obstáculos que possam existir.
Natarája significa bailarino real e nyása identificação. Podemos observar em Natarája a combinação do asceta (o yogi) com o artista (dançarino).




segunda-feira, março 23, 2009

OS OBSTÁCULOS DO YOGI, segundo Patañjali

Nos sútras 30 e 31 do primeiro capítulo dos Yoga Sútras, Patañjali apresenta-nos os 9 obstáculos com que o praticante se pode deparar no seu caminho em direcção a kaivalya (libertação) e os seus 4 sintomas.

Marisa em mayúrásana



.Vyádhistyánasamshayapramádálasyaviratibhrántidarshanálabdhabhúmikatvánavasthitatváni chittavikshepáste ' ntaráyáh //30//

.Doença, inércia, dúvida, negligência, preguiça, volubilidade, equivocação, inconstância e instabilidade. Estas 9 distracções mentais são os obstáculos //30//
"Estes 9 obstáculos provocam a dispersão da mente. Eles aparecem junto com as flutuações da consciência. Na ausência deles os vrittis não se manifestam."

De facto os Yoga Sútras são um tratado fundamental para todo o praticante e estudioso de Yoga. Patañjali fornece-nos instruções precisas e valiosas sobre vários assuntos relacionados com o trabalho interior a desenvolver pelo praticante. Neste caso apresenta-nos os 9 obstáculos que podem aparecer no caminho do yogi. São como pedras que o yogi terá que saber contornar depois de as reconhecer. Esse reconhecimento é-nos facilitado pelos sintomas que surgem relacionados com os obstáculos (veremos quais são no seguinte sútra).

Saber a existência destes obstáculos e que muitos yogis, antes de nós, já os encontraram e souberam superá-los de certa forma conforta e tranquiliza o praticante iniciante. Passemos então a uma pequena exposição de cada um dos 9 obstáculos:


Vyádhi - "Doença é o desequilíbrio dos doshas [humores corporais], as secreções e os órgãos do corpo." Se o veículo (corpo físico) adoece, o condutor não poderá ir muito longe. Para o yogi o corpo físico é a ferramenta base para o seu caminho e tudo deve fazer para mantê-lo saudável. Uma boa alimentação, respeitar os ritmos do corpo, descansar bem, manter o corpo e mente purificados, etc., são algumas das coisas fundamentais a ter em conta. Estando doente, as energias do praticante esgotam-se na doença em vez de se concentrarem no sádhana (prática).

Styána - "Inércia é a falta de preparo ou incapacidade da mente." Neste estado letárgico o praticante não tem objectivos, caminho ou entusiasmo (não confundir isto com o estado de realização onde o yogi não mais tem desejos ou objectivos. Aqui falamos da falta de vontade em praticar ou realizar acções que o façam progredir e desembaraçar-se da ignorância). A sua mente e intelecto tornam-se entorpecidos devido à inactividade. Esta inércia não faz florescer nada, como acontece com as águas estagnadas. Pode dever-se a comer muito e/ou mal, temperaturas muito frias, ou simplesmente razões mentais.

Samshaya - "Dúvida é o pensamento disjuntivo, como "pode ser isto" ou "pode não ser isto". Esta dúvida é diferente do trabalho de auto-estudo (svádhyaya) que o praticante deve desenvolver, questionando, perguntando, duvidando para poder progredir no seu caminho. Aqui a dúvida toma o sentido de indecisão, onde o praticante não sabe se há-se ir por ali ou por aqui, se deve praticar ou não, se confia no ensinamento, no mestre, na vida... No início é normal haver dúvidas, mas uma vez encontrado o caminho há que ter shraddha (confiança) naquilo que lhe é ensinado e especialmente na ordem que está por detrás de tudo. Om sarvam vai púrnam (tudo está perfeitamente bem).

Pramáda - "Negligência é não pensar nos processos de concentração". Pramáda também pode ser entendido como indiferença e insensibilidade. Esta é uma pessoa cheia de orgulho, falta-lhe humildade ao pensar que sozinho pode chegar longe, julga-se sábio quando não o é. Tende a escolher o que é prazeroso para satisfazer os seus desejos e sonhos, muitas vezes sem escrúpulos sacrificando os que se coloquem na sua frente, apenas pela gratificação pessoal. Ter pressa e ambição para conquistar o nosso objectivo (mesmo sendo kaivalya) também pode ser considerado pramáda. É importante dar tempo para praticar, estudar e assimilar o Yoga.

Álasya - "Preguiça é a falta de disposição que surge da letargia do corpo e da mente." Este é daqueles obstáculos fáceis de perceber. Aquela preguiça que nos dá pela manhã e que nos diz para ficarmos na cama mais uns minutos em vez de irmos praticar. A preguiça que adia para amanhã a prática e o estudo que podemos desenvolver hoje e a mesma preguiça que arranja sempre alguma boa desculpa para não fazer algo que sabemos que deve ser feito e que ainda por cima nos é benéfico. Muita energia e entusiasmo são necessários para remover este obstáculo. A nossa atitude deve ser semelhante à de quando estamos enamorados e fazemos de tudo para estar com a nossa amada... nessas alturas onde está a preguiça?

Avirati - "A volubilidade surge do apego aos objectos mundanos." É o satisfazer o desejo pelos objectos sensoriais. Com a prática de pratyáhára (recolhimento dos sentidos) o yogi ganha liberdade em relação ao apego a estes objectos, tornando-se sereno e tranquilo. Cultivar viveka (discernimento) ajuda-o a perceber o mundo de forma objectiva, retirando pouco a pouco o valor subjectivo anteriormente dado a esses objectos.

Bhránti darshana - "As concepções erróneas são conhecimento falso." Outras palavras que descrevem este obstáculo são ignorância, arrogância, equivocação. Trata-se de uma distracção da mente baseada em algo não verdadeiro, conhecimento inválido. Com a mente dominada pela arrogância fica difícil o praticante reconhecer a sua ignorância e o muito que ainda tem a aprender. É fundamental manter a humildade, a simplicidade e procurar a companhia daqueles que detêm o conhecimento para que nos possam guiar e clarificar.

Alabdha bhúmikatva - Inconstância. "A falta de preseverança é a impossibilidade de se estabelecer firmemente em algum dos estágios do Yoga." O praticante tem por vezes vislumbres do que pode ser a sua Natureza Real, mas ainda lhe falta escalar mais um pouco para ver com claridade e de forma permanente. Muitas vezes, quando vemos que ainda há caminho para percorrer, podemos ficar desapontados e desanimados pensando coisas como "eu pensava que era isto, que já tinha chegado e afinal não.... agora acho que já não tenho força nem vontade para continuar... não consigo mais".

Anavasthitattva - "A instabilidade para permanecer no estado conquistado na prática vincula-se ao fracasso em manter esse estado [de concentração]." Anavasthittva é a falta de força e poder para manter um determinado estado alcançado. Muitas vezes é o orgulho resultante das coisas que já alcançou que torna o yogi fraco e frouxo no seu sádhana (prática). É preciso não afrouxar para não perdermos aquilo que já alcançámos, são precisos anos (vidas quiçá) de esforço e determinação para retirar as malhas da ilusão, mas basta uma acção ou um pensamento equivocado para estragar o trabalho feito. Há que manter-nos firmes no sádhana até ao dia em que, em estado de liberado, as acções aconteçam espontâneamente de acordo com a ordem universal.


Agora os sintomas:
. Duhkhadaurmanasyángamejayatvashvásaprashvásá vikshepasahabhuvah //31//

. Sofrimento, desespero, instabilidade física e respiração irregular surgem desses obstáculos. //31//

Os sintomas são estes. Ao senti-los é certo que estamos na presença de um ou mais obstáculos. São consequência dos obstáculos. Estes "acompanhantes" dos obstáculos são manifestações físicas e por isso mais fáceis de perceber do que os outro 9. Quando nos damos conta de um destes sintomas é uma pista para sabermos que algo se passa num plano mais subtil.

Observar estes sintomas pode servir como um lembrete de que perdemos temporariamente o nosso foco e assim poder voltar a recuperá-lo.

Duhkha - Dor ou sofrimento. "O sofrimento é de 3 tipos: ádhyátmika (surge no interior da pessoa), ádhibhautika (surge no relacionamento com os demais) e ádhidaivika (provocado pelos fenómenos naturais)."

Daurmanasya - Desespero, depressão. "O desespero acontece quando os desejos não são preenchidos ou quando as expectativas não se concretizam."

Angamejayatva - Instabilidade física. Tremor do corpo.

Shvásaprashvásá - Inspiração e expiração (está implicito uma irregularidade no processo de inspirar e expirar). "A respiração irregular surge de uma mente dispersa, não concentrada."




Nota: Todas as partes em itálico são extractos de comentários de Vyása (importante comentador dos Yoga Sútras), com tradução para português do Prof. Pedro Kupfer.



quarta-feira, fevereiro 18, 2009

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

PIÑCHA MAYÚRÁSANA

Piñcha mayúrásana



Piñcha = pluma, pena

Mayúra = pavão




Dicas de execução

1ª Fase





1- Inicie o piñcha mayúrásana sentando-se sobre os calcanhares, no chão, (vajrásana) com os joelhos juntos.

2- Coloque o cinto acima dos cotovelos de forma que estes fiquem à largura das axilas. A função do cinto yogi é manter os cotovelos estáveis sem deixá-los abrir.

3- Apoie os antebraços no chão, paralelos entre si, com as palmas das mãos voltadas para baixo. Coloque um bloco de cortiça (ou de outro material) entre as mãos, ficando os polegares e os indicadores apertando suavemente o bloco. As palmas das mãos ficam bem apoiadas no chão, como ventosas, os dedos um pouco afastados entre si.

4- Inspirando estique as pernas, formando uma espécie de triangulo entre as pernas e o tronco. Pés paralelos à largura dos quadris.

5- Mantenha os ombros alinhados com os cotovelos e o pescoço numa posição relaxada.

6- Se puder caminhe com os pés em direcção da cabeça, mantendo as pernas esticadas (sem deixar os ombros baixarem à frente).

7- A dinâmica deste ásana assemelha-se à do adhomukha shvanásana, mas neste caso com os antebraços no chão.

8- Respire algumas vezes de forma tranquila.




2ª Fase



9- Fique de costas para a parede.

10- Construa a variação anterior usando a parede para apoiar os pés, de forma que as pernas fiquem paralelas ao chão.

11- A distância à parede deve ser tal que as pernas, ao ficarem esticadas, permitam a verticalidade do tronco e braços (mantendo os ombros alinhados com os cotovelos).

12- É fundamental manter as coxas bem activas, os pés empurrando a parede e os cotovelos empurrando o chão para que os ombros se mantenham alinhados.

13- É uma variação muito forte mas muito importante para o praticante ganhar estrutura. Sentirá enormes progressos no piñcha mayúrásana completo.

14- Pode experimentar tirar uma perna de cada vez para cima, mantendo-a em linha com o tronco e braços.




3ª Fase






15 – Encoste o bloco de cortiça ao rodapé ou parede. Repita os passos 1 a 8.

16 – Tire uma perna para cima e com um salto suba as duas pernas de encontro à parede. Mantenha o corpo bem esticado em direcção do tecto.

17- O salto pode ser feito com uma perna de cada vez ou com as duas ao mesmo tempo. Com a prática poderá fazer isso de forma bem subtil.

18 – Tente tirar um pé da parede e depois o outro, ficando em equilíbrio sobre os antebraços completando o piñcha mayúrásana. Cabeça fora do chão, olhando para trás ou para baixo, corpo em linha crescendo para cima.

19 – Alinhe os quadris e recolha o baixo ventre (uddiyana bandha) para não afundar a zona lombar nem fazer “rabo de pato”. Pernas juntas, esticadas e coxas activas. Plantas dos pés voltadas para o tecto. Ombros em linha com os cotovelos.





4ª Fase







20 – Experimente subir à verticalidade a partir do passo 14, tirando a outra perna para cima. Certifique-se que já tem um bom domínio sobre a posição.

21 – Depois de dominar com a ajuda da parede, bloco e cinto, comece a tentar sem o auxílio destes.

22 – Uma boa opção para chegar ao piñcha mayúrásana é partindo do shírshásana (invertida sobre a cabeça). O único que tem que fazer é tirar a cabeça do chão, continuando a manter o corpo alinhado verticalmente. Respire tranquilamente empurrando o chão com os cotovelos para subir a cabeça.



Outras sugestões:


É fundamental estar bem atento à respiração na hora de entrar, permanecer e sair do piñcha mayúrásana. Pode entrar inspirando ou expirando, sendo um movimento de elevação recomenda-se a inspiração mas caso sinta que tem tendência a ficar tenso ou a reter o ar melhor entrar expirando (pelo menos enquanto não dominar bem). Procure fazer respirações pausadas na permanência e, se possível, equilibrar os tempos da inspiração e da expiração (ex: inspire em 5 seg e expire em 5 seg). Para sair faça-o com expiração. Com a prática tente também entrar e sair do ásana no mesmo ritmo sugerido para a permanência, isso lhe proporcionará um foco muito grande na prática e um estado de grande serenidade.


Benefícios do piñcha mayúrásana

  • Desenvolve a musculatura e toda a estrutura dos braços, ombros e costas.
  • Fortalece a espinha e alonga os músculos abdominais, os ombros, pescoço e o peito.
  • Melhora o senso de equilíbrio.
  • Acalma o cérebro e ajuda a aliviar o stress e pequenas depressões.
  • Efeitos semelhantes aos do shírshásana (a invertida sobre a cabeça).



Contra-indicações:


Consulte o seu médico e professor de Yoga antes de tentar este ou outro ásana. Recomendamos especial atenção nos casos de: dor de cabeça, problemas cardíacos, hipertensão, menstruação, lesão nas costas, ombros ou pescoço.



Atenção


Estas dicas não substituem um professor de Yoga. São disponibilizadas apenas para que o praticante possa aprimorar sua técnica. A prática sob a supervisão cuidadosa de um instrutor preparado e competente é essencial para o sucesso na prática, bem como para evitar lesões. O autor não se responsabiliza pelo mal uso que possa ser feito destes textos.



quinta-feira, janeiro 08, 2009

PRÓXIMOS CURSOS



"Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não exisitiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar."









2 CURSOS NO PAZPAZES, PORTO

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

AS FOTOS DO RETIRO DE YOGA NA CASA DA EIRA

5 a 8 de dezembro de 2008

Um retiro mais instrospectivo e intimista, onde as práticas e o conhecimento tiveram outra força... um muito obrigado às pessoas que participaram e à Tina, a nossa anfitriã.














terça-feira, dezembro 09, 2008

O propósito do Hatha Yoga - por Miguel Homem



Aonde se propõe chegar o Hatha Yoga?

A Hatha Yoga Pradípiká diz-nos:

“O Yogi Svátmáráma, depois de saudar solenemente a deidade e seu guru, estabelece, desde o início, que o ensinamento do Hatha Yoga é somente um meio para a realização do Rája Yoga.” (I-2)

E a Gheranda-Samhitá:

“Curvo-me perante Ádíshvaráya que ensinou, no início, a ciência do Hatha Yoga, a ciência que representa o primeiro degrau da escada que leva à suprema altura do Rája Yoga.” (verso introdutório ao capítulo I)

Ao ler estas passagens naturalmente surge a dúvida: será que o Hatha Yoga não estará à altura de outros Yogas? Será um Yoga menor? A passagem seguinte da Hatha Yoga Pradípiká pode esclarecer-nos:

“Rája Yoga, samádhi, unmaní, manomaní, amaratava, láyá, tattva, shúnyashúnya, paramapáda, amanaska, advaita, niralámba, nirañjana, jívanmukti, sahaja e túriya são sinónimos.” (IV, 3-4).

Esta passagem parece-me especialmente relevante por vários motivos. Em primeiro lugar ajuda-nos a compreender o sentido dos versos iniciais da Hatha Yoga Pradípiká e da Gheranda Samhitá. A referência ao Rája Yoga enquanto objectivo do Hatha é feita não em relação ao método, mas em relação ao fim, ao estado final a alcançar. Depois mostra-nos a identidade entre vários conceitos de estados que, à primeira vista, poderiam parecer distintos. Assim, Rája Yoga e samádhi são tidos como equivalentes. De entre os citados vejamos outros com maior interesse para o nosso estudo.

Unmaní, manomaní são conceitos tipícos do nátha sampradáya e definem o estado de negação da mente (un-maní) ou posto de outro modo, o estado de consciência além da mente (mano-maní). Nomes diferentes para designar o que Patañjali apelidou de asamprajñáta samádhi ou nirvikalpa samádhi. Veja-se a Hatha Yoga Pradípiká (IV, 60-62).

Tattva, a realidade, é uma composição do Vedánta mahávakhya Tat tvam asi, ou seja, uma das grandes afirmações das Upanishads, tu és aquilo, a identidade entre o jíva e Brahman. “Eu sou Brahma, Eu não sou mais nada, Brahma sou certamente Eu; Eu não participo da tristeza, Eu sou existência, consciência., felicidade, sempre livre, de uma só essência”, diz a Gheranda Samhitá (VII, 4), um dos textos clássicos do Hatha Yoga.

Advaita, não dualidade, é o qualificativo da doutrina monista ensinada por Adi Shankarachárya, segundo a qual existe apenas uma realidade independente e eterna, Brahman – Brahman é satyam, tudo o resto é mithyam. Brahman é absolutamente real, tudo o resto depende dele para a sua existência.

Turíya, foi descrito na Mándukhya Upanishad (7) como o que está além dos três avasthás, vigília, sonho e o sono profundo, o átman. A consciência inerente aqueles estados, mas vista da sua própria perspectiva, sem referência a qualquer nome e forma (námarúpa), é chamada de turíya. Turíya é nome da pura consciência.

Por aqui se percebe que a busca o Hatha Yoga é também a busca do conhecimento Aham Brahma’smi, Eu sou Brahman, e que as suas técnicas mais não buscam do que esse conhecimento.


“Somente o Conhecimento (Jñána) é eterno. Ele não tem início nem fim. Não existe nada fora ele. A aparente diversidade do mundo é resultante da limitação dos sentidos. Quando esta limitação desaparece, apenas o Conhecimento, e somente ele, resplandece.” Shiva Samhitá (I,1).


Deixo por fim, esta passagem do Gorakshabodha, um texto atribuído a Gorakshanátha na forma de diálogo entre este e o seu mestre Matsyendranátha
[1]:

“Gorakshanátha: Como pode alguém alcançar o samádhi? Como pode alguém libertar-se dos factores perturbadores? Como pode alguém adquirir turíya? Como pode alguém tornar o seu corpo imutável e imortal?

Matsyendranátha: O jovem entra em samádhi através da mente; ele liberta-se das perturbações através do alento vital? Ele adquire turíya através da atenção e conhecimento (jñána) e obedecendo e voltando-se para o Guru, ele alcança a imortalidade.” (67,68).



[1] A tradição do Sanatana Dharma associa a criação do Hatha Yoga a Matsyendranátha e ao seu discípulo Gorakshanátha.








*Miguel Homem pratica e ensina Yoga no Porto. Edita o site: www.dharmabindu.com



Não deixem de consultar dois textos sobre Hatha Yoga escritos pelo Pedro Kupfer aqui e aqui

segunda-feira, novembro 10, 2008

ÁKÁSHA NAMASKÁR

Ákásha - o 5º elemento segundo o Yoga e o Ayurveda; éter; espaço; o que tudo penetra.

Namaskár – saudação.

O ákásha namaskár nasceu a meios de 2007, já não me lembro bem o porquê e o como. Talvez a necessidade de “criar” uma sequência com as bases do súrya namaskár mas com outro tipo de movimentos, mais laterais, mais equilibrio, e assim poder activar outras partes do corpo e aperfeiçoar o equilibrio entre o movimento e a respiração.

Nas primeiras vezes que o fiz a sensação de calor foi imediata e após poucas sequências ficava com o corpo banhado em suor… o mesmo aconteceu com os alunos quando apresentei esta saudação nas aulas. Sempre que o faço fico com uma grande sensação de leveza, talvez pelo tipo de movimento semelhante a ondas ou meio espiralado…

A origem do nome vem do facto dessa sensação de espiral, como se explorasse todos os tipos de movimento com o corpo, penetrando em todos os espaços… e assim o que me veio à cabeça foi o nome ákásha.

As bases são as mesmas do súrya namaskár: respiração sussurrante (ujjayí), activação do assoalho pélvico (múla bandha) e do baixo ventre (uddiyana bandha) e fixação ocular (drishtis) durante toda a sequência coordenada com a respiração (vinyasa krama).

Este artigo não pretende explicar a correcta execução dos ásanas, ou a forma de respirar ou ainda a execução das outras técnicas auxiliares. O objectivo é apresentar a sequência de forma simples e compreensível. Para um estudo mais aprofundado recomendo que aprenda o ákásha namáskar ao vivo e a cores com o seu professor.

Após 1 ano e meio de experiências e ajustes apresento-o pela primeira vez no papel. Quero agradecer aos praticantes e professores amigos pelas dicas e feed-back. Espero que desfrutem muito…


Ákásha Namaskár






1 - Tadásana ou samasthiti: Coloque-se em pé na frente do seu tapete com os pés juntos ou ligeiramente afastados, feche os olhos e mantenha as palmas das mãos juntas na frente do peito (añjali mudrá). Faça uma respiração profunda e sintonize-se com o corpo, respiração e bandhas. Lembre-se que o mais importante é cultivar uma atitude de observação desapegada durante a prática. Expire todo o ar…

2 - Úrdhva hastásana: Inspire e eleve os braços pelos lados, fazendo uma tracção da coluna. Se não criar tensão nos ombros junte as palmas das mãos e fixe o olhar nos polegares.

3 - Virabhadrásana III: Expire e mantendo o alinhamento anterior baixe o tronco e os braços, elevando a perna esquerda. Mantenha os braços, tronco e perna esquerda paralelos ao chão e a outra perna perpendicular. Todo o corpo bem activo.








4 - Virabhadrásana I: Inspire dando um passo largo para trás com o pé esquerdo ao mesmo tempo que eleva o tronco e junta as palmas das mãos (se não criar tensão nos ombros, caso contrário deixe as mãos um palmo afastadas entre si). A perna da frente fica dobrada, coxa paralela e joelho direito ao nível do tornozelo, enquanto que a perna de trás estica ou fica ligeiramente dobrada. Ao dar o passo evite colocar o pé de trás em linha com o pé da frente, coloque-o ligeiramente para o lado esquerdo para ter mais equilíbrio e facilitar a entrada no próximo ásana.

5 - Parshvottanásana: Expirando coloque o calcanhar do pé esquerdo no chão, ficando com o pé em diagonal. Estique ambas as pernas, mantenha o tronco voltado para a frente enquanto junta as palmas das mãos atrás das costas (paschima namaskár). Flexione o tronco sobre a perna direita mantendo o pescoço longo e as coxas bem activas. Todo o movimento é feito numa só expiração.

6 - Utthita parshvakonásana: Inspire dobrando a perna direita (coxa paralela, perna vertical), mão direita no chão do lado de fora do pé direito (palma da mão ou ponta dos dedos), tronco o mais lateral possível e o braço esquerdo bem esticado alinhado com o tronco e perna de trás. Olhe a mão lá em cima.







7 - Ekapáda Adho Mukha Shvánásana: Numa expiração leve ambas as mãos ao chão, paralelas entre si, enquanto tira perna direita para trás e para cima. Aproxime o tronco da perna esquerda e mantenha, dentro do possível, uma linha diagonal entre braços, tronco e perna direita. Coxas bem activas, cintura não roda, pescoço longo, ombros afastados do pescoço.

8 - Ardha Úrdhvadhanurásana*: Inspire flexionando um pouco a perna elevada (direita) passando-a para trás do corpo em direcção da mão esquerda ao mesmo tempo que tira a mão direita do chão. O pé direito pode ficar mais perto do pé esquerdo (mais suave) ou a meio caminho entre a mão esquerda e pé esquerdo (mais forte). O calcanhar direito fica erguido, a perna flexionada empurrando o corpo para cima. Perna esquerda bem esticada e planta do pé no chão. Braço direito esticado para cima e para trás e tronco em direcção do tecto.

9 - Vashishthásana: Expire e rode o tronco 180º, ficando agora com a mão direita no chão e o pé direito na frente do pé esquerdo ou por baixo do pé esquerdo (como está na foto). O braço esquerdo fica elevado na vertical, alinhado com o outro braço. Mantenha o tronco em linha com as pernas sem subir ou baixar os quadris e fixe o olhar na mão elevada.






10 - Parshva Chandrásana*: Com uma inspiração longa dobre as pernas para agarrar o dedo grande do pé direito com a mão esquerda, trazendo o pé para a frente. Pouse o joelho esquerdo no chão e mão esquerda sobre a perna ou calcanhar esquerdo. Pélvis baixa, joelho direito ao nível do tornozelo da mesma perna, tronco lateral e braço direito esticado por cima da cabeça. Fixe o olhar no pé lá atrás.

11 - Ardha Chandrásana: Expire pousando as pontas dos dedos da mão direita no chão, um pouco à frente e ao lado do pé direito, enquanto estica a perna direita, eleva a perna esquerda esticada para trás e o braço esquerdo na vertical. Braços em linha vertical, planta do pé esquerdo voltada para trás e dedos desse pé voltados para o mesmo lado do peito.

12 - Utkatásana (variação): Durante a próxima inspiração flexione as pernas, junte os pés, pontas dos dedos das mãos no chão, tronco esticado e pescoço longo. Todo o corpo bem activo.






13 - Pashásana (variação): Expire mantendo as pernas ainda flexionadas, coxas paralelas ao chão, junte as palmas das mãos (añjali mudrá) e coloque o cotovelo direito pressionando a coxa esquerda, ajudando na torção do tronco. Os antebraços ficam em linha, os joelhos permanecem juntos sem deslizarem um no outro e o pescoço roda na direcção do ombro esquerdo.

14 - Úrdhva hastásana: Inspire e eleve o tronco e os braços pelos lados até à verticalidade, esticando as pernas. Faça uma tracção longa da coluna, mantendo o cóccix apontado para os calcanhares e o olhar nos polegares das mãos juntas.

15 - Tadásana ou samasthiti: Expire e recolha as mãos em añjali mudrá terminando o ákásha namaskár.

Agora repita toda a série para o outro lado. Pode experimentar permanecer algumas respirações em cada postura, tendo sempre a atenção de entrar e sair do ásana com a respiração adequada, ou seja, se entra num ásana com inspiração já sabe que terá que sair com expiração e vice-versa.

* Os nomes que escolhi para estes dois ásanas não estão “institucionalizados”. Então tentei arranjar um nome que não ficasse mal de todo. Espero não ter feito grande asneira…

Atenção

Estas dicas não substituem um professor de Yoga. São disponibilizadas apenas para que o praticante possa aprimorar sua técnica. A prática sob a supervisão cuidadosa de um instrutor preparado e competente é essencial para o sucesso na prática, bem como para evitar lesões. O autor não se responsabiliza pelo mal uso que possa ser feito destes textos.

domingo, novembro 09, 2008

RETIRO DE YOGA na Casa da Eira

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quinta-feira, outubro 30, 2008

terça-feira, setembro 02, 2008

ÍSHVARA PRANIDHÁNA


O significado e o contexto

Segundo António Renato Henriques [1], íshvara pranidhána traduz-se como “depositar diante do Senhor” (íshvara = Senhor, pra = diante, nidhána = depositar). Íshvara pranidhána pode ter vários significados conforme os contextos mas são sempre derivações de: “entrega ao Senhor”, “aceitação da vida”, “dedicação a todos os actos”, “auto-entrega”, “renunciar aos frutos da acção (pois todo o acto é dedicado a Íshvara)”. No bom português costuma dizer-se “que seja o que Deus quiser”, na Bhagavad Guitá aparece-nos a expressão “bhavitam bhavati eva”: aquilo que tiver que ser será.

Íshvara pranidhána aparece nos Yoga Sútras de Patáñjali como sendo um dos cinco niyamas que, por sua vez, são um dos oitos angas (partes) do Ashtanga Yoga codificado pelo sábio. Esses oito angas são: yama, niyama, ásana, pránáyáma, pratyáhára, dháraná, dhyána e samádhi. Os cinco yamas e cinco niyamas são a ética do Yoga, os pilares onde assenta a prática e a vida do yogi. Traduzimos niyama como prescrição, são os elementos de auto controle que dizem respeito à vida interior do yogi e à forma como se relaciona e harmoniza com a vida em geral e com a verdade transcendente.

Como último dos niyamas aparece-nos íshvara pranidhána que, pessoalmente, gosto de traduzir como “entrega à vida”. O que se entrega ou deposita perante a vida ou se preferirmos, perante íshvara, são as próprias acções. Mas antes de nos debruçarmos sobre íshvara e como aplicar este conceito na prática do Yoga e na própria vida, vejamos o seu contexto nos yoga sútras.

“A supressão [da identificação com os vrittis consegue-se através da] prática constante e do desapego.” Yoga Sútras, I-12 [2]
“[O samádhi pode também obter-se] pela entrega a íshvara.” YS, I-23

Patáñjali começa por nos ensinar que através de abhyása (prática constante) e de vairágya (desapego) se consegue o estado de Yoga ou samádhi (segundo o comentador Vyása: Yoga é samádhi), e que esse samádhi está próximo para aqueles que o anseiam muito. Em caso de insucesso nessas duas práticas ou falta de motivação, ele apresenta outro meio, íshvara pranidhána, para chegar ao mesmo fim.

Mais à frente diz-nos: “esforço sobre si próprio, auto-estudo e entrega a Íshvara constituem o Kriyá Yoga.” YS II-1
Patáñjali apresenta-nos outra prática para chegar ao mesmo fim, o kriyá yoga, e novamente íshvara pranidhána faz parte das técnicas.

Finalmente, Patáñjali propõe ainda o Ashtanga Yoga, sistema pelo qual ficou conhecido, para destruir aquilo que nos condiciona e nos faz sofrer e assim levar-nos à libertação. Como já referi antes, também aqui íshvara pranidhána aparece, fazendo parte dos niyamas.

É de realçar o facto de íshvara pranidhána, a “simples” entrega à vida, aparecer nas três práticas apresentadas por Patáñjali como meio para chegar ao Yoga, apesar da dedicação e esforço que os yogis empregavam ao utilizar a grande variedade de técnicas ao seu dispor para se libertarem.


O conceito de Íshvara

“Íshvara é um Purusha especial, incólume às aflições, aos resultados das acções ou às latências provocadas por elas.” YS, I-24
“Não estando limitado pelo tempo, Íshvara é o guru dos mais antigos mestres.” YS, I-26

Íshvara é a potencialidade da consciência individual (purusha, o si-mesmo individual). Ele funciona como um arquétipo do yogi, uma referência ideal a ser seguida por quem se aventura na senda do Yoga. Verificando que os yogis daquela época recorriam a íshvara para obter o samádhi, Patáñjali não podia deixar de o referir nos seus yoga sútras. Assim, o sámkhya (filosofia naturalista) apresentado nos sútras de Patáñjali assume uma conotação dualista, afastando-se um pouco do sámkhya ateísta que não reconhece a existência de íshvara.

Íshvara é então um purusha especial, não afectado pelo tempo nem espaço, não influenciado pela angústia e suas fontes (ignorância, egotismo, paixão, aversão e apego à vida). Suas acções não produzem reacções, não guarda impressões, é sempre livre e consciente da sua liberdade. A grande diferença entre íshvara e purusha (individuo) é que enquanto íshvara não é dominado pelo poder de projectar de máyá (a ilusão de nomes e formas), purusha sim, ao conceber-se como uma personalidade egóica, um conjunto mente-ego-corpo limitado.

No advaita vedanta (corrente não-dualista), íshvara pode ser entendido como o absoluto não-dual associado ao seu poder de velar (máyá). Para o Tantra ele é o bindu, ponto a partir do qual o universo se expande e se recolhe.

Mas mais importante que a especulação que se possa fazer em torno do significado de íshvara, o importante mesmo é a prática de íshvara pranidhána por parte do praticante. Ao fazer esta entrega ou devoção a íshvara, a essa ideia de não-limitação e não-ilusão, a senda do Yoga torna-se favorável ao yogi e este realiza o seu objectivo, o de libertar-se ainda em vida.


Íshvara pranidhána no sádhana e no dia-a-dia

Sendo íshvara pranidhána uma prática que leva ao samádhi (ou se preferirmos ao Yoga) por si mesma, como encaixá-la na nossa prática pessoal?

O primeiro que temos que entender e perceber é: a quem se destina a prática, quem a realiza e quem a desfruta? Os mestres ensinam-nos que podemos escolher as acções mas não os seus frutos e que na prática somos aquele que observa e testemunha (sakshi) as experiencias e seus efeitos acontecerem.

Ao praticarmos não devemos estar presos a qualquer expectativa nem tão pouco apegarmo-nos aos resultados que possam surgir das técnicas. Íshvara pranidhána acontece quando entregamos o fruto da prática ao verdadeiro agente, quando aceitamos e compreendemos que não podemos mudar o passado nem prever o futuro. Ao entendermos que existe uma inteligência superior e universal que cuida e faz fluir a vida, então podemos nos entregar por completo.

Na minha opinião a técnica yoganidrá (relaxamento yogi) é aquela em que mais facilmente podemos aplicar e entender o conceito de íshvara pranidhána. Essa técnica que vai muito além do relaxamento depende basicamente da nossa capacidade de nos entregarmos e abandonarmos. É como se fossemos uma bóia ao sabor da maré, onde o movimento voluntário cessa e encaixamos no fluir natural do cosmos.

Tudo se faz e tudo sucede por si mesmo. Assim, o ser humano em nada toca e nada lhe afecta, ele não gera acções. Quando entendemos que não podemos prever os resultados e que a vida tem seu próprio rumo, aceitamos as coisas como são e vivemos de forma mais desapegada (vairágya).

Íshvara pranidhána implica também shraddha (confiança). Confiar que tudo está bem, confiar no processo de existência para podermos nos entregar sem medos nem receios. Confiar também no professor de Yoga que escolhemos para nos ensinar e nos próprios ensinamentos milenares que nos são passados.

Tudo isto muda a nossa obsessão pelo “eu”, pelo ego que se assume tantas vezes como o responsável pelas acções e cobra seu desfrute. Praticar íshvara pranidhána torna-nos mais humildes, esvazia-nos daquilo que não interessa e nos condiciona deixando espaço para a serenidade e paz.

Ao longo dos anos que pratico Yoga fui me apercebendo que realmente há muito pouca coisa que controlo, se é que controlo algo. O coração bate, o sangue corre, a respiração acontece, os pensamentos sucedem-se, sem que eu faça muito por isso, a vida simplesmente acontece. E assim também acontece com o meu sádhana diário. As técnicas vão se sucedendo, relaxo quando não consigo executar algumas delas mas também quando o domínio acontece. É muito interessante e revelador para mim quando por vezes caio de um ásana (postura) que julgava já ter dominado na perfeição ou quando alguma parte do corpo se lesiona por falta de bom-senso-ánanda. Isso recorda-me do que é essencial e torna-me mais humilde.

Nas palavras de Feuerstein [3]: “A devoção e entrega deixa-nos abertos à sensação de que há algo cuidando de nós. Percebemos o vínculo que interliga todas as coisas e sustenta todo este universo.”




[1] António Renato Henriques. Yoga e Consciência, Editora Rígel, Porto Alegre, 2001.

[2] Pedro Kupfer. Formação em Yoga, módulo 1, Yoga Bindu, Mariscal 2006. Todas as traduções dos Yoga Sútras foram retiradas da mesma fonte.

[3] Georg Feuerstein. A Tradição do Yoga, Editora Pensamento.

Outra bibliografia:

Pedro Kupfer. Yoga Prático, Fundação Dharma, Fevereiro 2001, Florianópolis.

Sesha. Advaita Vedanta, Gaia Ediciones, 2005.