sexta-feira, julho 25, 2008

MAYÚRÁSANA

Mayúrásana


Mayúra = pavão
Mayúrásana = postura do pavão


O nome desta posição deve-se, não só ao facto das semelhanças físicas com o pavão, mas principalmente porque se diz que este tem um sistema digestivo muito forte, fazendo parte da sua dieta animais venenosos (como certas cobras, insectos, repteis e escorpiões). Ele é capaz de digeri-los sem efeitos adversos. O mayúrásana aparece descrito na Hatha Yoga Pradipiká e na Gheranda Samhitá que, como se sabe, são 2 dos mais importantes tratados de Hatha Yoga e onde o número de ásanas apresentado é bem reduzido.

Dicas de execução


1- Inicie o mayúrásana sentando-se sobre os calcanhares, no chão, (virásana) com os joelhos afastados.
2- Apoie as palmas das mãos no chão com os dedos voltados para trás, de forma que as mãos fiquem entre os joelhos.
3- A posição das mãos varia conforme o conforto e o que se quer trabalhar a nível de dedos e pulsos. Assim, pode optar por: ficar com os polegares para a frente e os demais dedos para trás; todos os dedos para os lados; apoiar-se sobre as pontas dos dedos; apoiar-se sobre os punhos fechados; palmas no chão com os dedos para a frente; mãos em diagonal para trás.
4- Dobre os cotovelos e baixe o tronco até apoiar o abdómen nos cotovelos, ficando com o tronco paralelo ao chão.
5- Mantenha os cotovelos os mais juntos possível.
6- Os antebraços ficam perpendiculares ao solo e os braços horizontais.
7- Se as pernas estiverem muito juntas a tendência é ficar com o tronco inclinado (rabo para cima, cabeça para baixo). Na hora de tentar sair, muitas vezes o praticante vai com a cabeça ao chão. Separe-as até sentir o apoio do abdómen nos cotovelos mantendo a linha do tronco paralela ao chão.
8- O abdómen apoia-se nos cotovelos e o tórax na parte posterior dos braços.
9- Expire deslocando o peso do corpo suavemente para a frente (sem cair) e tirando as pernas para trás e para cima.
10- A posição se completa esticando as pernas e ficando com o corpo paralelo e recto como um bastão, apenas apoiado nos cotovelos.
11- Mantenha as pernas, coxas e costas activas.
12- Procure abrir o peito. Rode os quadris para que o cóccix aponte na direcção das pernas esticadas.
13- Ao permanecer no ásana mantenha os braços firmes e activos para que os cotovelos não se separem.
14- Alongue o pescoço e respire normalmente sem reter o ar.
15- Utilize todo o tempo o ujjáyí pránáyáma (respiração sussurrante), o múla bandha (activação do assoalho pélvico) e uddiyana bandha (elevação do baixo ventre).


Aperfeiçoando o mayúrásana



1- Repita os passos de 1 a 8 descritos anteriormente.
2- Coloque a testa no chão e estique primeiro uma e depois a outra perna para trás, com os dedos dos pés voltados para baixo e os calcanhares elevados. Mantenha as pernas activas, sem baixar os quadris.
3- Faça aqui 3 a 5 respirações profundas.
4- Eleve uma das pernas e faça outras 3 a 5 respirações, baixe e repita para outro lado.



5- Com os pés no chão tire a cabeça alongando o pescoço (3 a 5 respirações).
6- Finalmente experimente tirar os pés completando o mayúrásana (3 a 5 respirações), reveja os passos 9 a 15 do texto anterior.


Ekahasta mayúrásana (apoio do abdómen num só braço)



1- Construa a posição como no mayúrásana tradicional, a diferença é que vai apoiar o abdómen apenas num dos cotovelos.
2- Coloque o cotovelo o mais ao centro possível. Pode explorar vários locais, bem por baixo da linha das costelas é um ponto sensível mas estimulará bastante o fígado e vesícula biliar (lado direito) e o pâncreas e baço (lado esquerdo). Entre a crista ilíaca e o centro é talvez o ponto mais acessível e menos doloroso.
3- Apoie a mão que fica livre ao lado no chão. Pode optar por colocar o antebraço para maior estabilidade. Se não encontrar logo o ponto de equilíbrio experimente vários pontos no solo onde apoiar a mão ou o antebraço.
4- Para entrar no ásana siga as “dicas de execução” aplicando-as a esta variação.
5- Uma boa forma de permanecer mais tempo para poder ganhar estrutura e receber os efeitos do ásana é manter os pés no chão com as pernas esticadas.
6- A tendência é o corpo tombar para o lado do braço onde está apoiado. Active as costas para manter o tronco paralelo e direito.
7- Dobre as pernas no início para facilitar o ponto de equilíbrio.
8- Com a prática estique as pernas e teste o seu equilíbrio tirando a mão de apoio do chão. Este é o completo ekahasta mayúrásana.
9- Faça primeiro com o cotovelo direito apoiado e depois com o esquerdo, facilitando o processo digestivo.


Outras sugestões:

Experimente usar um cinto de yoga para ajudar a manter os cotovelos próximos. Se tem um bom padmásana aproveite-o no mayúrásana, isso lhe permitirá uma maior estabilidade facilitando a permanência.


Efeitos do mayúrásana

Melhora a digestão; ajuda na eliminação de toxinas de forma a que substâncias prejudiciais não circulem nem fiquem armazenadas; purifica o sangue; alivia a prisão de ventre, estimulando a actividade dos intestinos; estimula o fígado, a vesícula biliar, os rins e o pâncreas (útil para quem sofre de diabetes); cura doenças estomacais; revitaliza todo o organismo; fortalece grande parte dos músculos do corpo (pernas e coxas, costas, abdómen e tórax, braços, antebraços, pulsos...); devido à pressão dos cotovelos na cavidade abdominal retarda-se o fluxo de sangue nessa zona, assim quando se liberta a pressão, um fluxo de sangue fresco invade os órgãos digestivos, purificando-os e regenerando-os, o coração é massajado. Elimina as disfunções provocadas pelo desequilíbrio entre vata, pitta e kapha. A nível emocional e mental desenvolve a força de vontade e auto-superação. Energeticamente actua sobre idá e pingalá nádí (ekahasta mayúrásana) e sobre sushumná nádí (mayurásana tradicional) promovendo o despertar da kundaliní.
Gosto de brincar com o nome desta posição dizendo que é o “mayorásana”! Este ásana eu não dispenso na minha prática.


Contra-indicações:

Consulte o seu médico e professor de Yoga antes de tentar este ou outro ásana. Recomendamos especial atenção a pessoas com hérnia inguinal, doenças cardiovasculares, hipertensão, grávidas, fragilidade ou problema nos pulsos.

Atenção
Estas dicas não substituem um professor de Yoga. São disponibilizadas apenas para que o praticante possa aprimorar sua técnica. A prática sob a supervisão cuidadosa de um instrutor preparado e competente é essencial para o sucesso na prática, bem como para evitar lesões. O autor não se responsabiliza pelo mal uso que possa ser feito destes textos.



segunda-feira, julho 14, 2008

AS FOTOS DO YOGA VIVEKA

Karuna - 4, 5 e 6 de julho 2008
















quarta-feira, junho 11, 2008

YOGA VIVEKA - fim de semana imerso na prática e ensinamento do Yoga

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3 dias em boa companhia, imerso na prática e ensinamento do Yoga, com muito sol e kirtan.Para aqueles que queiram aproveitar o calor e a luz do Verão para se reconhecerem melhor: 3 dias de prática de Hatha Yoga Tradicional com shat karma, ásana, pranayama, yoganidrá, mudrá e meditação imbuídos no ensinamento védico.









com as participações especiais de super shiva, super ganesha e super krishna.... eheheh

sexta-feira, junho 06, 2008

A IMPORTÂNCIA DO SÁDHANA

Desabafos de um yoguin...

Há pouco mais de 7 anos que pratico Yoga, tiro alguns meses e fico com o tempo que o transmito em aulas e cursos. O sádhana (prática) ao longo desse tempo sofreu muitas variações de intensidade e regularidade. Se durante anos o Simão levantou-se bem cedinho pela manhã para fazer o seu sádhana, houve temporadas em que a preguiça e falta de disciplina foram mais fortes. Aí, lá arranjava forma de praticar durante o dia ou nas aulas que dava... enfim... todo o dia é Yoga, mas aqui refiro-me à prática em cima do tapete... é que muitas vezes damo-nos conta a dizer que tudo é Yoga só porque fica bem dizer, mas o emocional e mental andam a mil, o ego a cobrar pensamentos e acções e por aí fora...

Tudo é Yoga, se há consciência, se há atitude, se há desapego e se há a percepção de Unidade, tudo é Yoga. Mas para a maioria dos praticantes grande parte do dia é tudo menos Yoga. Nestes últimos tempos tenho questionado bastante a utilização do Yoga dentro de um meio citadino repleto de estímulos que nos enchem a cabeça. O normal é a pessoa acordar pela manhã meio a correr, despachar o pequeno-almoço e ir para o trabalho (tens uns que já perceberam que sabe bem ir praticar logo de manhã antes de se meterem na confusão). Almoçam a correr, passam o dia a olhar para o relógio à espera que as horas passem para assim poderem ir para casa onde se enfiam nos sofás ou a fazer um jantar esquentado no micro ondas; ligam a televisão para se entreterem antes de se deitarem... ao deitar começam a reforçar-se as preocupações criadas durante o dia... " que vou fazer amanhã? contas para pagar... fazer isto fazer aquilo... forma de ganhar mais uns trocos para comprar tal coisa... etc....

Quem pratica Yoga lá arranjou um espacinho de 1h ou 1h30 na sua preenchida agenda, 2 vezes por semana... Então 2x por semana lá vai ele praticar... E aqui chega o ponto que queria focar antes... com tanta coisa para pensar e executar como é que a pessoa vivencia a prática? Será que metade da prática não será para se lembrar que respira (lá está o prof. a martelar "ujjayi", respira!!!) e a outra metade a soltar algumas das muitas tensões e medos que persistem grudados? Então e o Yoga? E a união? Não será que andamos a fazer apenas uns alongamentos e a lembrar que respiramos? Sentamo-nos com cara séria numa postura que deixámos de fazer ao longo dos anos pois preferimos os sofás e cadeiras da moda... para fazer meditação... meditação??? Com tanta coisa na cabeça...

Um dia um aluno perguntou-me o que fazer para conseguir dormir melhor. Ele deitava-se e tinha dificuldade em adormecer e pediu-me que lhe "receitasse" umas técnicas yoguicas. Aí, sem pensar, simplesmente disse: Simplifica a tua vida! Quando digo isto as pessoas olham-me com aquele ar do tipo "ah Simão deixa-te de utopias e vive na realidade! A vida não é assim tão fácil..." Mas claro, se o dia é agitado a mente é agitada, os pensamentos não param e na hora em que queremos dormir têm mais uma oportunidade para se manifestarem...

Bom, com tudo isto quero dizer que não basta fazer umas festinhas no tapete de prática emprestado da “shala” de Yoga 2x por semana. Ainda para mais porque a maioria até nessas 2x consegue faltar.... Quando nos iniciamos no Yoga somos grandes heróis, temos força para tudo, vamos a todas as práticas e cursos, lemos e não sei que mais... com o tempo vamos deixando-nos embrenhar novamente no lufa-lufa e nos samsáras do dia-a-dia... temos dificuldade em manter-nos com vontade e intenção no Yoga...

Aí vai o top das desculpas mais usadas nas baldas à prática (eheheh): "não tenho tempo; tenho uma festa de anos; estou doente; estou cansado (quase sempre o cansaço é mental e a prática só aliviaria esse peso mental); amanhã tenho exame; no outro dia já pratiquei muito, hoje não é preciso (às vezes pensamos que por praticarmos muito num dia acumulamos créditos para a próxima...)"; pratico na semana que vem; não tenho dinheiro (e terá para o maço de tabaco, para beber 2 e 3 cafés por dia, para as festas, noitadas, jantares chiques, novo telemóvel, roupa de marca, plásticas, produtos de beleza...); hoje está frio... ou está calor; tenho coisas para fazer…; ah não dá prof., fica muito longe ....

Os professores de Yoga, esses têm muito aquela do "pratico quando der aulas".

A mente inventa 108 desculpas para não praticar e poucas para o fazer... de manhã o ego diz "não te levantes fica no quentinho", à noite volta à carga: "vai para casa ver aquele filme ou deitar-te na cama ou beber uns copos ou comer uns bolinhos ou vai ao centro comercial encher-me de confortos ilusórios que preencham este vazio existencial..."

Estou a ser duro... eu sei... mas contra mim falo... contras estes samskáras (condicionamentos) que teimam em permanecer... que me fazem permanecer no samsára (roda, ciclo que se repete...) da vida. E apesar de todos os altos e baixos do meu sádhana, o gosto pelo Yoga permaneceu sempre, sempre que penso naquilo que mais gosto é sem duvida a prática e aquilo que sinto ao deslizar em Yoga. Pratico cedo pela manhã porque sempre que o faço a plenitude preenche-me e permanece o dia todo. Aquelas 2 horas valem pelo dia todo, venha o que vier eu sou Yoga, nada está separado de mim, em shánti (paz) nada me afecta. Penso sempre "Se não fizer a prática o que ganho com isso? A resposta é nada! E cada vez mais a preguiça vai perdendo terreno...

E acordar com o corpo duro? Com aquelas dores no pulso ou no joelho, dor de cabeça ou outra coisa? Muitas vezes sinais do corpo a limpar, a esticar, a abrir... fico na cama por causa de um pulso dorido? Vai lá mas é para o tapete e enfrenta as tuas cenas... e claro no final é uma paz e serenidade que não se pagam...

Para mim existem 3 tipos de sádhana: o que fazemos sozinhos, o que fazemos com um professor de Yoga e quando ensinamos, nem que seja pegar num amigo e dar-lhe uma aula só para sentir e mudar a perspectiva. As 3 formas são excelentes e reforçam-se mutuamente. Há que manter a humildade, principalmente quem já dá aulas, para continuar a fazer aulas com os outros, para com respeito unir as mãos em frente ao peito e fazer namaskar... há que ter disciplina e muita força de vontade para todos os dias sentar para praticar, vencer a inércia e comodidade que facilmente se instalam... e ter a coragem, devoção e amor para passar aos outros aquilo que sentimos sem esperar nada em troca, poder partilhar o Yoga é recompensa suficiente...

A prática não chega, há que observar-nos, reflectir, discernir o que é importante, fazer um auto estudo. O estudo dá amplitude à prática e esta dá a firmeza e estabilidade necessárias para prosseguir na senda do Conhecimento que Liberta. Tudo isto faz-me perceber que não existe uma coisa aparte de mim sobre a qual, ou com a qual, eu possa levar a cabo uma acção. Não podendo ser aquele que pratica a acção, desapego-me do papel do personagem por mim criado e de todos os méritos e deméritos que isso acarreta... aí, através do Conhecimento e do Sádhana vou quebrando os elos do ciclo do samsára...

Para mim é muito fácil, se há sofrimento é porque ainda tenho coisas para resolver. Se um dia vem insatisfação ou outra coisa qualquer é porque ainda há coisas para varrer. E para mim o Yoga é a ferramenta ideal para isso, quando há Yoga não há sofrimento já que não há diferença, não há separação, não há conflito... apenas paz. Se cada um vivesse em paz consigo mesmo não haveria problemas. Para quê querer interferir e mudar o mundo quando nós ainda não estamos em paz? Para criar mais confusão?

Fica aqui o meu estímulo para continuarem a praticar o Yoga, não desistam nem desanimem, a recompensa é muito maior! Se gostam mesmo de Yoga há que dedicar-lhe tempo, há que dar importância aquilo que realmente importa. Costumo dizer: se o Yoga está dentro das coisas que mais gostamos de fazer não pode haver desculpa que desvie a nossa vontade!

É nos momentos menos efusivos (quando o ego se sente em baixo, descontente) que temos grandes vislumbres de quem somos e nos mantemos humildes, aceitando as coisas tal como são. Que cada dia e momento sejam uma Unidade (yoga) constante!

sexta-feira, maio 09, 2008

YOGA BINDU

Bindu - ponto ou gota. No tantra refere-se ao semen. É o ponto onde tudo surge e onde tudo retorna, contém simultaneamente o que cria e o que é criado, a consciência e a energia.

Há quem diga que Yoga é uma filosofia de vida, outros dirão que é uma terapia, outros uma forma de arte, uma ginástica exótica, técnicas transcendentais, misticismo, seita, meditação, forma de estar, cultura... etc... Também não admira haver tanta opinião diversa, visto que o Yoga é algo que existe há milhares de anos, praticado por milhões de indivíduos, cada um com seu ponto de vista, com a sua percepção perfeitamente válida daquilo que será o Yoga, conforme o que vai sentindo no dia-a-dia.

A palavra Yoga como já muita gente sabe significa União, é este talvez o sinónimo mais aceite na comunidade yogi... Entretanto muitas outras definições surgiram de acordo com o interesse da pessoa. Na verdade o Yoga é sempre Yoga, o seu objectivo é o próprio Yoga, não é qualificável e não pretende, na minha opinião, resolver problemas de saúde ou tornar-nos felizes ou de qualquer outra forma. Como diz nos Yoga Sutras: para o yogi o karma nem é branco nem preto... Para o yogi que se realiza através do Yoga, que se dedica ao Yoga, o estado que fica é o de transcendência de estados, sejam eles positivos ou negativos... o yogi transcende as qualificações mentais a que a persona está sujeita... então ele nem fica feliz nem triste...

O Yoga visa o momento, a união entre passado e futuro num presente continuo, onde inevitavelmente o actor sai de cena. O ego e toda a construção da personagem sobrevive graças à sua memória que o recorda quem é e o impele a pensar e agir de determinada forma, condicionado pelo que fez ou deixou de fazer no passado. Esse ciclo continuo é formado por samskára-vásaná-vritti-karma-samskára-vásána-vritti-karma-samskára... Os samskáras são os condicionamentos que temos, os vásanás são as tendencias, as latencias, os vrittis são as ideias, pensamentos, instabilidades da consciência e finalmente karma é a acção. Enquanto não cortarmos pela raiz determinado samskára, este irá reforçar o tal ciclo viciado em que no final a acção reforçará ainda mais o samskára, criando uma bola de neve que parece não ter fim. Esse samskára pode ser entendido como a própria memória, o nosso cemitério particular.
Praticando a fundo o Yoga, estudando-o, reflectindo, observando, discernindo... vamos quebrando esses ciclos, arrancando esses samskáras e tudo o que vem agarrado a ele... no final o que resta? Resta o vazio, o abandono do ser.... e é muitas vezes isto que assusta o praticante, o medo de não-ser, de perder as suas referências, as suas características.... mas afinal o rio quando chega ao mar deixa de ser rio... Quando queremos realmente Yoga (e não apenas aquela ginástica exótica tão famosa) estejamos preparados para isso, para fundirmo-nos no vazio e transcender o ego, ou como muita gente não gosta de ouvir mas eu gosto de dizer: a morte do eu.
Porque afinal Yoga é Samádhi e Samádhi é morte. Morte em vida, é a destruição de Shiva, o perder as máscaras, as capas, as personagens, toda a artificialidade que criámos e reforçámos ao longo do tempo. Todo o mundo não quer sofrer, no fim das contas ninguém quer sofrer, e todas as filosofias e religiões se assemelham nesse ponto: arranjar uma forma de acabar com o sofrimento. No meu entendimento, para deixar de sofrer tenho que deixar de me identificar, pensar e agir sem tomar posse desses pensamentos e acções, sem me julgar o dono disto ou daquilo, sem deixar marca, nem pegadas, tornar-me poroso, tentando interferir o menos possível. E isso só acontece quando abandonamos o eu, quando não o alimentamos, quando abdicamos do protagonismo e da ilusão que isso acarreta. O yogi não renuncia à acção, até porque o mundo é acção e a Natureza não pára, o yogi renuncia aos frutos da acção e por isso não sofre.

Para o Yogi o verdadeiro desapego (vairágya) chega para nos realizarmos, nada mais é preciso. Esse vairágya é aceitar as coisas tal como elas são, nem mais nem menos. Para isso é necessário, em grande parte do processo, abhyása, constante prática e durante um período longo (tão longo for preciso para retirar os samskáras e afins). Esse abhyása é fundamental na prática do Yoga, mantermo-nos firmes, não deixando que a preguiça e outros se interponham na nossa vontade de Yoga. Todo o pequeno esforço que possamos despender em prol do Yoga, receberemos 10 vezes mais, 100 vezes mais em troca... é tão gratificante que fica dificil à pessoa que diz gostar e querer, arranjar desculpas para não o praticar.

Mantras (vocalizações de sons), Kriyás (purificação), Ásana (dinamica e inércia corporal), Bandhas (chaves de retenção e canalização da energia vital), Pránáyáma (respiratórios para expandir e controlar a energia vital), Yoganidrá (relaxamento), Dhyána (meditação), entre outras técnicas, são apenas oportunidades para nos experienciarmos, nos sentirmos, vermos outro ponto de vista e ir pouco a pouco retirando tudo o que não interessa, esvaziando-nos... No inicio parece dificil, suamos e pingamos frustrações, sentimo-nos humilhados (qual o ego que gosta disso?), criamos imensas resistencias... até que um dia conseguimos fluir e deixar-nos levar na prática, conduzidos pela vida, profundamente sintonizados e mergulhados no pulsar criativo universal. Aí, sem esforço algum, deslizamos em Yoga...

Em estado de Yoga não existe um Eu, é isso que experiencio, não me espera um estado de felicidade nem de tristeza, não me espera nada, e é esse nada que me pacifica, é nesse nada ser que encontro a plenitude. E o que resta então? Cabe a cada um descobrir e sentir...

quinta-feira, maio 08, 2008

YOGA DÁRSHANA

“Não conhece doença, velhice nem sofrimento aquele que forja seu corpo no fogo do Yoga. Actividade, saúde, libertação dos condicionamentos, circunspecção, eloquência, cheiro agradável e pouca secreção, são os sinais pelos quais o Yoga manifesta seu poder.”

Shvetashvatara Upanishad (II:12-13).

A unidade da respiração, da consciência e dos sentidos, seguida pela aniquilação de todas as condições da existência: isso é o Yoga.


Maitri Upanishad, VI:25

Buscando o que é, você encontra o que não é. Encontrando o que não é, você acha o que é. Yoga não é apenas o lugar onde você chega. Aliás, você pode não chegar a lugar algum. Yoga é o caminho que você caminha.


Pedro Kupfer

...Isso é yoga. Criar os meios para a união com o vazio donde tudo emerge.


Ramiro Calle

Firme no Yoga, faça o seu trabalho, ó conquistador da riqueza [Arjuna], abandonando o apego aos frutos dele e mantendo a mesma atitude na vitória ou na derrota, pois Yoga é eqüanimidade da mente.


Bhagavad Gita, II:48

Yogah karmashu kaushalam. Yoga é perfeição na acção.


Bhagavad Gita, II:50

O Yoga deve ser conhecido por meio do Yoga; o Yoga manifesta-se mediante o Yoga. Aquele que se aplica sem descanso ao Yoga, no final encontra no Yoga uma alegria permanente"


Vyása, Yoga Bháshya, III:6

Yoga é samádhi.

Vyása, Yoga Bháshya, I:1

O Yoga desprograma os condicionamentos resultantes das ideologias, as tradições ou os valores impostos pela sociedade. Ensina o indivíduo a ser ele mesmo e dá uma liberdade que está além dos preconceitos e formas de comportamento estabelecidas pela sociedade. (...) O Yoga não é moral nem moralizante.
Pedro Kupfer

A essência da prática do Yoga está na liberdade, na elegância natural, na paz e na beatitude do samádhi, em que corpo, mente e alma se unem e fundem com o Espírito Universal. Yoga é Um!


b.k.s. Iyengar

Quando os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, então começa o caminho supremo. Essa firmeza calma dos sentidos chama-se Yoga. Mas deve-se estar atento, pois o Yoga vem e vai.

Katha Upanishad, VI

Se diz que Yoga é a unificação da rede de dualidades.

Yoga Bija, 84

Realmente, não há mérito maior que o Yoga. Não há bem mais elevado que o Yoga. Não há subtileza mais fina que o Yoga. Não há nada mais excelso que o Yoga.

Yogashikha Upanishad, I:67

"Yoga chitta vritti nirodhah" Yoga é a cessação [da identificação com] as modificações da consciência.

Patañjali - Yoga Sutras I:2

"Yogah prabhavápyayau". Yoga é ao mesmo tempo dissolução e emergência, morte e renascimento.

Katha Upanishad

Toda a criação é paz, infinita e eterna.
Veja a infinita consciência em tudo e fique em paz.
Yoga é a cessação das experiências dos objectos.
Fique no estado de Yoga e faça o que você tem que fazer.
Fique no estado de Yoga e viva.

Laghu Yoga Vasishtha, CXXVI:78
Do estudo deve-se passar ao Yoga. Do Yoga deve-se passar ao estudo. Pela perfeição no estudo e no Yoga, a Consciência Suprema se manifesta. O estudo é um dos olhos com que se percebe o Ser. O Yoga é o outro.
Vishnu Purana, VI:6.2
O autentico Yoga é sem esforço.

quinta-feira, maio 01, 2008

segunda-feira, abril 28, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

terça-feira, abril 01, 2008